D. Aloísio é enterrado no Sul

Elder Ogliari, IMIGRANTE (RS) - O Estado de S.Paulo

Cerimônia organizada por franciscanos reuniu cerca de mil pessoas e teve de ser transmitida em um telão

O corpo do cardeal d. Aloísio Lorscheider, arcebispo emérito de Aparecida (SP), foi enterrado na tarde de ontem na capela do cemitério do Convento Franciscano São Boaventura, na localidade de Daltro Filho, no interior de Imigrante, a 130 km de Porto Alegre.A cerimônia, organizada pela congregação franciscana, à qual d. Aloísio pertencia, levou cerca de mil pessoas à igreja, que tem capacidade para receber apenas 400 fiéis sentados, e ao sepultamento. Boa parte das pessoas assistiu à cerimônia por um telão instalado em um pavilhão próximo.O público presente corresponde a um terço de toda a população de Imigrante. O prefeito, Paulo Gilberto Altmann (PP), disse estar triste pela despedida e orgulhoso porque d. Aloísio expressou em vida o desejo de ser enterrado no local onde iniciou seus estudos, junto aos seus confrades franciscanos, perto do cemitério onde foram sepultados seus pais e de volta às suas origens.Entre os presentes estavam os governadores do Ceará, Cid Gomes, e do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, o deputado federal Ciro Gomes e o arcebispo de Aparecida, d. Raimundo Damasceno. Cid Gomes disse que o cardeal deixou marca profunda no Ceará, liderando passagem importante da história do Estado. D. Aloísio Lorscheider morreu no domingo, aos 83 anos, de falência múltipla de órgãos. Ele ordenou-se padre em 1948, foi nomeado bispo em 1962, mesmo ano em que foi convocado a Roma para o Concílio Vaticano II. A repercussão de seu trabalho foi maior nos anos 70, pela defesa dos direitos humanos durante o regime militar. Foi secretário-geral da CNBB de 1968 a 1971 e presidente de 1971 a 1978. Também presidiu o Conselho Episcopal Latino-Americano de 1976 a 1978. Foi considerado "papável" nos conclaves que elegeram João Paulo I e João Paulo II, em 1978.