Criações de gado usam ração vetada em 2004

Fabiane Leite - O Estado de S.Paulo

Ações de fiscalização do Ministério da Agricultura verificaram em 2008 que 68% de 286 criações de gado vistoriadas no Estado de São Paulo alimentavam os bovinos com rações que continham proteína de origem animal. O uso dessa proteína é proibido por causa do risco de os bichos desenvolverem a doença conhecida como "mal da vaca louca", até hoje não registrada no País. O consumo de carne contaminada é associado ao desenvolvimento, em humanos, de uma variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob, mal neurológico fatal. Também não há registros de casos no Brasil. Patrícia Pozzetti, chefe do serviço de sanidade agropecuária do ministério em SP, destaca que o porcentual em que foram encontradas irregularidades é pequeno diante das 250 mil fazendas de gado cadastradas. Ela enfatiza que todas as vistorias foram feitas mediante denúncias.A proteína animal foi parar nos cochos bovinos por causa do uso da"cama de aviário" na alimentação dos animais. É constituída por palha de arroz e feno de capim, sabugo de milho ou serragem misturados com excrementos, penas e restos da ração das aves, que leva farinha de carne bovina e ossos. Seu uso foi vetado em 2004. A promotoria de Cerquilho obteve no dia 21 liminar que obriga 17 criadores a suspender o uso da cama na alimentação do gado, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.