Criação de reserva é lenta, afirma ministro

Fabiana Cimieri - O Estado de S.Paulo

Para Minc, não basta instalar áreas de conservação, mas é necessário também protegê-las

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, encarou com naturalidade a lentidão da Casa Civil em criar cinco novas unidades de conservação ambiental por causa do interesse do Ministério de Minas e Energia em explorar economicamente as regiões. "Quanto mais pesquisa, ecoturismo, e, em alguns casos extrativismo, melhor defendida a reserva estará", disse ele, depois de participar de solenidade de lançamento de carros elétricos na sede da distribuidora de energia Ampla, na região Metropolitana do Rio.Conforme o Estado noticiou ontem, pelo menos nove processos de criação ou ampliação de novas unidades de uso sustentável e de proteção integral estão parados na Casa Civil. Oficialmente, o Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que ainda realiza estudos em três áreas onde podem ser criadas a Reserva Extrativista (Resex) Renascer, no Pará, a Resex Baixo Rio Branco/Jauaperi, entre Amazonas e Roraima, e o Refúgio de Vida Silvestre Rio Tibagi, no Paraná. Outros dois processos, de ampliação - o Parque Nacional do Pau Brasil e a Resex do Ciriaco -, foram liberados pelo MME.Segundo a Casa Civil, que medeia o processo, os processos ainda estão em análise pelos ministérios envolvidos."O processo de criação de uma reserva exige uma conversa com os governos e com (o Ministério de) Minas e Energia. Em algumas o MME diz que há minério, então estamos vendo se tem ou não. Numa delas tiramos um pedacinho, demarcamos áreas que não incompatibilizem a construção de uma hidrelétrica, (analisamos) se os seringueiros, os castanheiros estão usando para o extrativismo", afirmou Minc. "Isso realmente é lento." Ele ressaltou que, em quase um ano no ministério, conseguiu aprovar a criação de 5 milhões de hectares de reserva e que, no próximo dia 5, Dia Mundial do Meio Ambiente, o presidente Lula assinará decretos criando duas novas unidades de conservação, na Bahia e no Ceará. De acordo com o ministro, não basta criar reservas, é preciso protegê-las. Ele afirmou que, ao assumir a pasta, 52 unidades de conservação não tinham nenhum funcionário e que, das 56 reservas extrativistas, só três tinham plano de manejo. Na verdade, o quadro levantado pelo MMA no ano passado era ainda pior: das 299 unidades existentes, 173, ou 58%, não tinham fiscalização."Hoje todas elas têm pelo menos dois ou três funcionários e encomendamos cem planos de manejo que estão ficando prontos", disse Minc. Segundo ele, o ministério também está firmando convênio com Estados e municípios para a cogestão de áreas de reserva.