Cresce o uso de robôs em cirurgias

The New York Times - O Estado de S.Paulo

Precisão possibilita procedimentos menos invasivos e recuperação mais rápida

Como você chamaria um cirurgião que opera sem bisturi, instrumentos de sutura ou lâmpada para iluminar as entranhas do paciente? Um médico melhor, opina um número crescente de cirurgiões que preferem deixar que robôs computadorizados realizem a parte mais invasiva do seu trabalho.Muitos urologistas que fazem cirurgias da próstata vêem os movimentos precisos de um robô como a melhor maneira de poupar nervos cruciais para o controle da bexiga e a potência sexual. A capacidade de uma máquina de manipular pequenos instrumentos com perícia possibilita procedimentos menos invasivos e recuperação rápida. Robôs também protegem os cirurgiões do desgaste físico e da exposição aos raios X.Os robôs são hoje um segmento diversificado, que cresce rapidamente e movimenta US$ 1 bilhão na indústria de equipamentos médicos. E Wall Street tem apenas duas indagações para o setor: até onde irá e com que rapidez? Não há respostas fáceis, mas é notável o número de vezes em que o nome do dr. Frederic H. Moll - fundador da Intuitive Surgical, companhia líder na área - aparece em toda discussão.Sua atual participação em três outras empresas de robótica o mantém na mira dos investidores. Agora, ele é mais conhecido como o diretor da Hansen Medical, da área de robótica e que se concentra em formas de cirurgia minimamente invasivas para cardíacos. Mas ele é também investidor e membro do conselho da Mako Surgical, companhia de robótica ortopédica, e um dos fundadores e presidente da Restoration Robotics, empresa da área de cirurgia plástica.Apesar da crescente predileção de Wall Street pelas fabricantes de robôs cirúrgicos, as empresas da área de saúde e as seguradoras em sua maior parte mostram-se cautelosas. Elas querem mais evidências de que a robótica melhora os resultados para os pacientes a um custo com o qual os hospitais podem arcar. Muitos ainda se perguntam se não será mais uma questão mercadológica do que de progresso da medicina.Winifred Hayes, diretora-executiva da Hayes Inc., empresa de consultoria da área de tecnologia em medicina, de Lansdale, Pensilvânia, afirma que a maior parte dos dados clínicos não corrobora as alegações de que os pacientes são melhor atendidos pela cirurgia robótica. Segundo ela, a maior parte dos hospitais e das clínicas está perdendo dinheiro ou conseguindo retornos fracos com seus robôs. "A questão verdadeira é que esta é uma tecnologia que se difundiu de forma muito ampla, prematura", afirma. Mesmo assim, o interesse pela robótica continua grande.A Intuitive entrou na bolsa em 2000, com ações cotadas a US$ 9. A participação de Moll na época era de aproximadamente US$ 13,5 milhões, e ele ainda detém um número considerável de ações. Em 2003, Moll adquiriu a Computer Motion. Desde então, vendas e lucros subiram sem parar, dirimindo as eventuais dúvidas de Wall Street sobre a possibilidade de os robôs se tornarem de fato um sucesso comercial.