Cresce o nº de instituições ruins

Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Avaliação do MEC mostra que passou de 454 para 588 as mal avaliadas; apenas 1% conseguiu nota máxima

O número de instituições de ensino superior de excelência ficou praticamente estagnado no País enquanto o total das consideradas ruins cresceu 29,6% entre 2007 e 2008. De acordo com o Índice Geral de Cursos (IGC), avaliação anual do Ministério da Educação, apenas 21 universidades e faculdades conseguiram atingir a nota máxima (5). Entre os centros universitários, nenhum chegou a esse patamar. Foram avaliadas 2.001 instituições no total - 11% a mais do que em 2007. Do outro lado, 588 instituições tiveram conceito 1 e 2, ou seja, devem passar por avaliação in loco do MEC por causa da baixa qualidade. "Para a secretaria, essas instituições já estão na malha fina, independentemente das visitas in loco", disse a secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Paula Dallari, ao divulgar os resultados. Criado no ano passado, o IGC é o primeiro índice a avaliar a instituição como um todo. Para chegar a ele, são usadas as notas do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade) de cada um dos cursos e dados sobre professores, projeto pedagógico e infraestrutura, além do conceito obtido pela pós-graduação (mais informações nesta página). Os dados deste ano mostram que a avaliação ruim cresceu entre todos os tipos de instituição, mas ainda é maior em faculdades isoladas, integradas e institutos. Nesses grupos, que reúnem poucos cursos e não têm a independência de centros universitários e universidades, a soma de conceitos 1 e 2 chega a 551, 42,7% do total. No ano passado era de 429 (37,4%). AVANÇO Mas foi entre as universidades que, porcentualmente, o número de mal avaliadas cresceu mais. Apesar de não ter nenhum conceito 1 e apenas 15 com conceito 2, o crescimento das universidades mal avaliadas foi de 65%. Oito piores de 2007 mantiveram o posto, mas ganharam a companhia de outras sete. Dessas, cinco tiveram conceito 3, mas caíram. Outras duas, as universidades estaduais de Alagoas e de Roraima não tinham conceito anterior. Apenas a Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (SC) saiu da lista das piores porque não foi avaliada. Na parte de cima do ranking, a situação está estagnada. São 21 as instituições que se destacam pela excelência, das quais 7 universidades, todas federais - a primeira é a Federal de São Paulo (Unifesp). O restante são 14 faculdades isoladas ou integradas, sendo 10 privadas, 2 estaduais e 2 federais (o Instituto Tecnológico da Aeronáutica e o Instituto Militar de Engenharia). Isso representa apenas 1,3% das instituições com conceito divulgado este ano. Entre centros universitários, nenhum conseguiu a nota máxima. O número dos que alcançaram o conceito 4 também ficou estacionado - 12. O Estado não fez ranking único englobando todas as categorias administrativas e acadêmicas (universidades, centros e faculdades) porque, segundo o MEC, elas têm critérios diferentes a serem cumpridos. Das instituições avaliadas, 388 ficaram sem conceito no IGC por falta de algum tipo de dado. Por isso, a reportagem optou por desconsiderar aquelas sem conceito para calcular os porcentuais de cursos bem e mal avaliados. A USP e a Unicamp não participam da avaliação. Por terem autonomia, elas não têm adesão obrigatória ao Enade.