Cotidiano: Desejo e Arrependimento

Felipe Machado, do Jornal da Tarde - O Estado de S.Paulo

Quantas vezes você já se arrependeu de não ter dito algo? E o contrário?

Acho que alguém em Hollywood anda lendo meus pensamentos: após O Amor nos Tempos do Cólera, mais um dos meus livros favoritos ganhou versão para o cinema. Reparação, de Ian McEwan, chega às telas por aqui com o nome de Desejo e Reparação - o desejo do título, aliás, é totalmente desnecessário... mas deixa pra lá. É uma história sutil, mas de tirar o fôlego. McEwan escreve tramas que mudam de uma hora para outra, alteradas pelas pequenas peças que o destino prega em todos nós. E é isso que o livro/filme tem de melhor: a certeza de que nunca estamos a salvo de nós mesmos. Não se preocupe, não vou contar a história aqui (embora meus dedos estejam tremendo no teclado, loucos para fazer isso). Vou dizer apenas que a história começa com Briony, uma garotinha vaidosa e inteligente de 13 anos que num momento de fraqueza comete um ato de injustiça que traz conseqüências para muitas vidas. A história é mais do que isso, mas tudo bem. McEwan gosta de nos deixar incomodados, imaginando o que a vida poderia ter sido e não foi. O que poderíamos ter feito e não fizemos. Dizem que é sempre melhor se arrepender de algo que se fez do que de algo que não se fez. McEwan esfrega essa idéia no rosto da humanidade, expondo nosso medo mais íntimo: o de que podemos não ter nos tornado as pessoas que sonhávamos ser. Quantas vezes você já se arrependeu de não ter dito algo? E o contrário? A vida é cruel: temos que tomar uma decisão e viver com ela. Invariavelmente, cada caminho leva apenas a um lugar. E esse lugar precisa ser escolhido antes de pegar a estrada, o que dá aquela sensação de sentar num trampolim e balançar os pés no vazio.  Arrependimento é mais do que uma palavra. É uma memória que queima a alma. É incrível como não nos acostumamos com isso, uma vez que tomamos decisões todo dia, toda hora. Na literatura é possível reparar nossos erros, mas na vida real é mais difícil. Aqui o tempo corre sempre numa direção só: para frente. E isso é o máximo que podemos fazer: olhar para trás, aprender com os erros... e continuar vivendo.  Eu queria ser esse cara Javier Bardem, atorO espanhol concorrerá ao Oscar por seu papel em Onde os Fracos Não Têm Vez. Enquanto isso, ele namora a atriz Penélope Cruz. Vida dura, não?  Borracharia Marilyn Monroe, atrizDepois de tantas modelos magérrimas na SPFW, dá gosto ver fotos da diva americana na mostra O Mito, na Galeria Estação.