Controvérsia levou médico a ser preso pela PF

Alexandre Rodrigues - O Estado de S.Paulo

A controvérsia sobre o uso de órgãos marginais foi um dos motivos que em 2008 levaram à prisão do médico Joaquim Ribeiro Filho, especialista em transplante de fígado do Hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele é suspeito de três casos de desrespeito à fila de transplante. Um deles é o de um transplantado que estava em 32.º lugar na espera e acabou recebendo um fígado antes. A justificativa do profissional foi de que se trataria de órgão limítrofe.Ribeiro Filho acha que a decisão do Ministério da Saúde sobre o tema é positiva, mas chega tarde. Para ele, a regulamentação poderia ter evitado "suspeições". "Há dez anos pedimos isso. A gente fazia, sob risco, e aí vieram burocratas obrigar a usar fígado marginal no primeiro da fila. Dar um fígado de uma pessoa de 70 anos para um paciente de 20, 30 é um contrassenso. Ser o primeiro da fila não é suficiente. É questão de ser apropriado ou não." O processo contra o médico está suspenso porque seus advogados apontaram suspeição do juiz.