Controle de voos aumenta no Rio

Nicola Pamplona e Jamil Chade - O Estado de S.Paulo

Após a confirmação de um caso de transmissão na cidade, passageiros passaram a responder questionários

O controle de passageiros que chegam de países em que já foram registrados casos de gripe suína foi intensificado no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, cidade em que já foi registrada um caso de transmissão da doença. Passageiros procedentes de países com casos confirmados, como os EUA, passaram a ser entrevistados individualmente - antes esperava-se que pessoas com sintomas se apresentassem voluntariamente às autoridades de saúde.Às 9 horas, quem veio no voo da American Airlines de Miami foi recebido no setor de desembarque por agentes das secretarias de Saúde do município e do Estado e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e teve de preencher formulários com seus dados e responder a perguntas sobre seu estado de saúde, em entrevistas individuais. Nenhum passageiro tinha sintomas da doença.A intensificação das ações da Anvisa no aeroporto, na manhã de ontem, recebeu críticas de passageiros que chegavam de países afetados. "Achei uma operação malfeita, pois colocaram todo mundo em uma sala fechada, que aumentava os riscos de contaminação das pessoas. E se tivesse alguém infectado ali?", reclamou Bruno Vidigal de Carvalho, diretor da empresa Altatech Offshore, que vinha de Houston, no Texas.O avião, da companhia American Airlines, foi impedido de parar no terminal, sendo direcionado a uma área distante do aeroporto. De lá, os passageiros seguiram para a sala onde estavam os agentes da Anvisa. A triagem, porém, não era rigorosa - muitos passageiros sequer foram questionados sobre possíveis sintomas. Após responder o questionário, que continha perguntas sobre procedência e endereço no Brasil, foram todos encaminhados à área de desembarque. Lá, houve distribuição de panfletos com recomendações sobre o que fazer em caso de aparecimento dos sintomas.A atuação da Anvisa foi diferente da estratégia adotada nos Estados Unidos, onde as autoridades vêm focando o trabalho de prevenção em informações sobre higiene pessoal, como lavar as mãos com água e sabão.As Nações Unidas alertam para a proliferação de medidas discriminatórias usadas por governos contra pessoas que chegam de países afetados. O órgão já declarou que medidas de contenção nos aeroportos não impedirão a entrada do vírus.Na França, todos os voos do México são direcionados a um terminal especial do aeroporto de Paris. Na China, qualquer pessoa com passaporte mexicano acabou sendo colocado de quarentena. Mas já há sinais de casos contra outras nacionalidades, inclusive brasileiros.Vários governos querem trazer o tema para a Assembleia Mundial da Saúde, que ocorre na semana que vem e reúne ministros da saúde de 193 países em Genebra. Alfonso de Alba, embaixador mexicano na ONU, acusa a China de promover discriminação e quer um debate sobre essas medidas. "Colocar pessoas não infectadas em uma quarentena apenas baseado em sua nacionalidade é sem duvida uma discriminação'', afirmou Rupert Colville, porta-voz da ONU para Direitos Humanos.PNEUMONIA VIRALDoenças como asma, diabete, cardiopatias ou tuberculose podem aumentar os riscos de hospitalização ou morte de pacientes com a gripe A(H1N1), segundo técnicos da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os médicos sublinham que as conclusões são preliminares e baseadas na análise de somente 40 mortes no México e de metade dos 57 pacientes hospitalizados nos Estados Unidos. Mas algumas tendências ficam cada vez mais claras.Richard Besser, diretor em exercício do CDC, aponta que a maior parte dos americanos internados tinha um problema adicional de saúde. Sete deles possuíam asma, uma enfermidade cada vez mais comum nos Estados Unidos. Também foi encontrado um claro vínculo dos casos graves com a incidência de obesidade, também epidêmica na sociedade americana.A especialista em gripe da OMS, Sylvie Briand, explica que pacientes jovens saudáveis morreram de pneumonia viral, bem mais agressiva que a pneumonia bacteriana. A doença pode gerar uma "tempestade de citocinas", reação imunológica desproporcional que enche os pulmões de líquido. COM NYT