Consciência ecológica

- O Estado de S.Paulo

Os valores não vieram de família. Mas, desde a adolescência, o consumismo incomodava a designer gráfica Ana Lê Rocha, de 30 anos. "Você precisa de uma coisa, mas tem 400 variações do mesmo item. O mundo não suporta tanto consumo e não é isso que faz as pessoas felizes", protesta. Engajada na questão ambiental, consome o mínimo de embalagens e não compra nenhum produto de procedência duvidosa. Um exemplo: no seu curso de pós-graduação, foi pedida uma calculadora financeira. Todos os colegas compraram produtos baratos em lojas que vendem sem nota, mas ela procurou uma loja que vendesse dentro dos procedimentos legais. "Paguei duas vezes mais." Ana Lê adoraria não ter carro e viver em uma casa que tivesse energia solar e reaproveitasse a água da chuva. Mas como mora com a mãe na zona sul, esse sonho ainda não se tornou possível. Enquanto isso, faz questão de ter um veículo pequeno e, sempre que possível, combina com os amigos de saírem em um único carro à noite. Em todas as empresas onde trabalhou, implementou a coleta seletiva de lixo. As maiores tentações femininas - roupas e sapatos - não representam problema para ela. "Não é algo de que me prive, mas não gosto de sair para comprar nem de shoppings. Só vou quando realmente preciso", fala. Ela, que é vegetariana, também fica incomodada com as porções gigantescas de alimentos que costumam ser servidas. "Não jogo comida fora de maneira nenhuma."