Como protesto, alunos invadem restaurante

- O Estado de S.Paulo

Quem estava na fila pôde comer de graça, mas entrada de outros estudantes não foi permitida pelos grevistas

Alunos em greve da Universidade de São Paulo (USP) invadiram ontem o único restaurante em esquema de "bandejão" que ainda funcionava na instituição e interromperam o trabalho dos funcionários. A catraca foi liberada e quem estava na fila pôde comer de graça, mas não foi permitida a entrada de outros estudantes depois da invasão. A comida que acabava também não era reposta e, em determinado momento, havia alunos comendo arroz e farofa. Veja notícias e fotografias da USP O restaurante fica no Instituto de Química, trabalha com funcionários terceirizados e atende cerca de 3.500 estudantes por dia. Uma refeição completa no local custa R$ 1,90 e não é preciso pesar o que se põe na bandeja. O preço do quilo em restaurantes da USP, em média, é de R$ 28. À noite, o bandejão foi reaberto com a ameaça de que os alunos voltariam. "Fazer piquete no bandejão tira o direito dos estudantes. Concordo com algumas pautas (de reivindicação), mas não com essa forma de manifestação", disse Rosana de Oliveira, de 19 anos, estudante de Filosofia que almoçava no local. O protesto começou por volta das 13 horas, quando cerca de 300 estudantes entraram no restaurante, gritando palavras de ordem e levando faixas. Os funcionários foram para a cozinha. Os grevistas passaram a servir os colegas. Segundo eles, o objetivo era mostrar que "a comida não vem pronta e é necessário que todos se sensibilizem com a greve dos funcionários". "Não se discute comida, a alimentação vem antes de política", afirmou Dioclézio Domingos, de 26 anos, aluno de Filosofia. Ele mora no Crusp e diz que a greve só prejudica os alunos que não têm recursos para pagar por outra alimentação. "Quem faz o movimento estudantil é a massa burguesa de classe média que está desconectada do mundo. Não vou discutir com gente assim, que não sabe o que é passar fome." Ele contou que tem aumentado sua carga de trabalho, fazendo traduções do francês, para pagar as despesas que aumentaram por causa da greve. VOTAÇÃO Uma votação online desenvolvida por um aluno do câmpus da zona leste mostra que a maior parte dos estudantes participantes é contra a greve. Os resultados até agora revelam que, mesmo dentro da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), tradicionalmente a que mais adere a paralisações, há mais votos de estudantes se dizendo contra do que a favor.