Com poucos padres, Amazônia pede ajuda

José Maria Mayrink - O Estado de S.Paulo

Dioceses apelam a bispos do S e SE por voluntários

Dioceses e prelazias da Amazônia, a região mais desprovida de padres do Brasil - um país de vocações sacerdotais ainda insuficientes e mal distribuídas - fizeram um apelo para que os bispos do Sul e do Sudeste lhes enviem voluntários para atender a população ribeirinha."Temos paróquias e áreas pastorais imensas com pouquíssimos sacerdotes", disse d. Esmeraldo Barreto de Farias, ontem, na Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que debate no convento de Itaici, município de Indaiatuba (SP), a formação de sacerdotes. Bispo de Santarém (PA), ele é o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada.Segundo estatísticas divulgadas pela Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil (Osib) e pela Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP), o número de padres, diocesanos e religiosos, é de aproximadamente 18.100. Isso significa 1 padre para cada 10 mil habitantes, a mesma proporção de 50 anos atrás - ou dez vezes menos que o ideal.Os seminaristas diocesanos, cerca de 9 mil em diversas etapas (Propedêutico ou Preparatório, Filosofia e Teologia) mantêm o mesmo número do ano 2000. As matrículas caíram em alguns seminários e aumentaram em outros, segundo d. Esmeraldo. "As dioceses da Bahia e de Minas vão indo muito bem", disse, destacando o exemplo de Mariana (MG), que tem mais de 170 padres para 134 paróquias.Como não há padres suficientes, os bispos investem na ordenação de diáconos permanentes, que hoje são 2.800, e incentivam o engajamento de leigos na pastoral. Os diáconos permanentes são homens casados que também fazem cursos de Teologia. Não celebram missa nem ouvem confissões, mas podem pregar e administrar alguns sacramentos, como distribuir a eucaristia, fazer casamento e dar a extrema unção.