CNBB debate formação de padres

José Maria Mayrink - O Estado de S.Paulo

Começa amanhã em Itaici a 47.ª Assembleia-Geral, que pretende discutir o perfil do clero na atual realidade

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vem discutindo há dois anos as linhas básicas do documento A Formação Presbiteral: Diretrizes e Desafios, tema central da 47ª Assembleia-Geral que começa amanhã, no convento de Itaici, município de Indaiatuba, a 100 quilômetros de São Paulo."Mais do que uma reflexão, vamos fazer uma atualização das diretrizes e orientações aprovadas em 1994, para traçar o perfil do clero na realidade dos dias atuais e no contexto do Documento de Aparecida, produzido há dois anos pela 5ª Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe", informa dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Teresina (PI) e presidente da comissão responsável pelo tema.A formação de padres será analisada em cinco dimensões - humano-afetiva, comunitária, espiritual, intelectual e pastoral. O grande desafio, segundo d. Sérgio, é conjugar esses pontos, de modo a formar presbíteros (sacerdotes) que se enquadrem no perfil sonhado pela Igreja e atendam às necessidades da comunidade. D. Sérgio, que é o presidente do Departamento de Vocações e Ministérios do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), adianta que o documento de Itaici dará destaque à formação permanente, para que os padres estejam sempre atualizados. O texto refere-se principalmente ao clero diocesano (60% dos quase 19 mil padres do Brasil), mas as ordens e congregações religiosas são convidadas a seguir as diretrizes.Ao estudar a formação humano-afetiva do padre, a CNBB abordará questões como amadurecimento emocional, sexualidade e celibato. "Um dos desafios é a busca da identidade do presbítero que se põe a serviço da comunidade, nas dioceses e nas paróquias", observa d. Sérgio. O texto dará ênfase ao trabalho pastoral entre os pobres e à evangelização nos novos areópagos (referência ao tribunal de Atenas onde o apóstolo Paulo pregou), como, por exemplo, os meios eletrônicos de comunicação.A crise de identidade foi responsável pela deserção de milhares de padres, após o Concílio Vaticano II, nos anos 60 e 70. "Foi uma crise muito séria, quantitativa e qualitativamente, que gerou desconforto e a desistência de um grande número de presbíteros e de seminaristas", disse o padre Paulo Bosi Dal?Bo, presidente da Organização de Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil (Osib).As diretrizes de 1994 acenam para uma superação da crise de identidade, lembra padre Paulo, mas apontam outros desafios, como a "crise de sobrecarga de trabalho pastoral, geradora de cansaço, de rotina, de superficialidade na oração e no estudo, de solidão afetiva e de fragilidade". O modelo de formação atualmente adotado no Brasil prevê seminários para jovens e adultos, que despertam para a vocação sacerdotal na faixa dos 17 anos. O número de seminaristas cresceu na década de 90, mas voltou a diminuir nos últimos anos. Em 2000, havia 8.659 seminaristas diocesanos.