Cirurgia é banalizada, critica Ivo Pitanguy

Pedro Dantas - O Estado de S.Paulo

Ele classificou a promoção do turismo para fazer operações como antiética

O cirurgião plástico Ivo Pitanguy criticou ontem o que chamou de "imposição do marketing sobre o conceito de beleza" e voltou a alertar sobre os riscos da banalização das cirurgias estéticas ao proferir uma conferência magna no 5º Congresso Mundial de Medicina Estética, no Hotel Intercontinental, em São Conrado, zona sul do Rio.Em sua fala sobre rejuvenescimento facial, Pitanguy ressaltou que a banalização é o lado ruim do crescimento das cirurgias estéticas no mundo. "Não se pode banalizar. Nas cirurgias plásticas ou reparadoras, o cirurgião deve ter formação para operar, já que há os riscos de qualquer cirurgia, e elas devem ser feitas em ambiente hospitalar", alertou Pitanguy, considerado o maior cirurgião plástico do País.Ao tratar do assunto, ele lembrou ainda que o silicone líquido injetável é agora contra-indicado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.TURISMOPitanguy classificou como antiético o turismo voltado para a cirurgia plástica que recentemente cresceu nas clínicas do eixo Rio-São Paulo. Nesse eixo estão concentrados cerca de 70% do setor no Brasil."Quando uma companhia (de viagens) traz o paciente para ganhar sobre o médico e comercializa a medicina, eu acho antiético", afirmou o cirurgião.De acordo com o presidente da Associação Internacional de Medicina Estética, Waldyr Mansilha, a indústria de cosméticos e da beleza movimenta no Brasil aproximadamente US$ 4 bilhões (ou R$ 6,8 bilhões) por ano. Perde apenas para a indústria nos Estados Unidos, cujo valor movimentado é de US$ 13 bilhões (ou R$ 22,1 bilhões) anualmente.Somente o congresso, que termina hoje no Rio, espera movimentar cerca de R$ 7 milhões em volume de negócios.MODELO DE BELEZAAo tratar da imposição do marketing sobre a beleza, Pitanguy criticou ainda a magreza excessiva das modelos."O belo é aquilo que agrada. De repente, você vê uma menina anoréxica desfilando e não agrada. A partir do momento que se começa a vender produtos e se desenvolve uma mentalidade que não é saudável, cria-se uma inversão de valores", disse o cirurgião.