Cientistas procuram ''Einsteins'' africanos

The Sunday Times - O Estado de S.Paulo

O professor Stephen Hawking, que devotou sua carreira a encontrar as origens do universo, iniciou uma nova busca: um Einstein africano. Embora sofra de uma doença degenerativa que afeta nervos e músculos e que o deixou quase que totalmente paralisado, Hawking, de 66 anos, viajou para a África do Sul para lançar o projeto. Alguns dos mais importantes cientistas e empresários da área da alta tecnologia colaboraram financeiramente para o projeto de US$ 294 milhões, que visa criar o primeiro centro de pós-graduação em física e matemática no continente, depois que o governo britânico recusou-se a dar o financiamento. Hawking foi acompanhado de eminentes cientistas, incluindo dois vencedores do Prêmio Nobel de Física, David Gross e George Smoot, o dirigente da Nasa, Michael Griffin, e Michael Lazaridis, o bilionário fundador da empresa que criou o smartphone Blackberry. "O mundo da ciência precisa dos brilhantes talentos da África e eu espero atender as perspectivas dos jovens Einsteins africanos", disse Hawking. Neil Turok, criador do projeto e professor de física-matemática na Universidade de Cambridge, onde é colega de Hawking, disse que o objetivo do centro é "revelar e promover o talento científico" em toda a África. "Além de um Einstein africano, queremos encontrar um Bill Gates africano e os Sergey Brins e Larry Pages do futuro", disse Turok, referindo-se aos fundadores das empresas Microsoft e Google.Os 15 novos centros terão como modelo o Instituto Africano de Ciências Matemáticas (Aims, na sigla em inglês), fundado por Turok em Muizenberg, perto da Cidade do Cabo, há quatro anos. O instituto já formou 160 pessoas de 30 países africanos, muitos delas hoje doutores em ciências. Uma deles é Buthaina Adam, cujas capacidades matemáticas se destacaram em Darfur, província do Sudão destroçada pela guerra, onde ela cresceu. Formada em física pela Universidade de Cartum, Buthaina pretendia tornar-se física nuclear, mas sem dinheiro e oportunidades, parou os estudos até que lhe foi oferecido um posto no Instituto Africano de Ciências Matemáticas, em 2006. "O Aims me propiciou uma vida, abriu-me as portas", disse ela, que espera retornar a Darfur e se tornar professora, depois de concluir seu pós-doutorado. Turok e Hawking esperam que os estudantes do instituto ajudem a derrubar os estereótipos negativos da África, recentemente expressados por James Watson, um dos descobridores do DNA. Watson perdeu seu posto de diretor dos laboratórios Cold Spring Harbor, nos Estados Unidos, depois de sugerir que os africanos eram menos inteligentes do que os europeus. Uma análise subseqüente do seu próprio DNA mostrou que ele próprio tinha uma ascendência em parte africana.