Chile critica ação brasileira por causa da gripe

EMILIO SANT?ANNA e ARIEL PALACIOS, com EFE - O Estado de S.Paulo

Bachelet atribui sugestão para adiar viagem ao ?medo?; Saúde diz que medida vale para grupos vulneráveis

As reações à recomendação do governo brasileiro para que as viagens ao Chile e a Argentina fossem adiadas, como prevenção à gripe suína, variaram ontem das críticas da presidente chilena e do setor de turismo dos três países à concordância da ministra da Saúde argentina. Também ontem, logo após mais 65 novos registros da doença no País serem anunciados, o Ministério da Saúde redefiniu a recomendação da véspera.De acordo com nota divulgada no início da noite, a recomendação para adiar viagens é destinada somente a pessoas com mais de 60 anos, crianças de até 2 anos, gestantes, pacientes imunodeprimidos e portadores de doenças como diabetes e cardiopatias. Anteontem, a recomendação havia sido anunciada para todos os brasileiros. De acordo com o ministério, México, Estados Unidos, Canadá e Austrália também são destinos a serem evitados.A presidente do Chile, Michelle Bachelet, criticou a medida das autoridades sanitárias brasileiras. "Esse tipo de resposta, entendida desde o susto, do medo, não são as respostas necessárias para enfrentar uma epidemia desta natureza", afirmou a presidente chilena.Bachelet, que estava em visita oficial aos Estados Unidos, ressaltou que "a solução é a cooperação, além de trabalhar em conjunto e não fechar as portas ao movimento e entrada de pessoas entre os países". Já a ministra da Saúde da Argentina, Graciela Ocaña, considerou razoável que o governo brasileiro tenha recomendado evitar viagens para esses países. "É uma recomendação de saúde como a que nós fizemos, para que as pessoas evitem viajar a zonas de risco, como Estados Unidos, Canadá e México", declarou a ministra a um canal de televisão local.Graciela reconheceu que pode haver mais casos de gripe suína em seu país do que os 1.294 registrados até agora. "Nem todos os casos são informados porque alguns pacientes não recorrem aos hospitais e centros de saúde, mas toda gripe é suspeita de ser provocada pelo vírus H1N1", afirmou Graciela .Ontem, a Secretaria da Saúde da província de Misiones - na fronteira com o Brasil - informou a primeira morte por gripe suína no interior da Argentina. Segundo as autoridades sanitárias na capital provincial, Posadas, a vítima é um homem de 36 anos. O número total de mortes na Argentina chega a 21.O país é o terceiro com mais óbitos decorrentes da gripe suína no mundo. Além do caso do interior, as outras mortes foram de quatro moradores da cidade de Buenos Aires e de 16 da província de Buenos Aires.A Argentina é o principal país na América do Sul em número de mortes.Especialistas afirmam que o governo federal está escondendo mais óbitos. "Jamais esconderia informação. Ocultar dados é a pior coisa que a gente poderia fazer no meio desta pandemia", afirma Graciela.TURISMONo Brasil, a recomendação para que as viagens para Chile e Argentina sejam adiadas causou impacto nos representantes do setor de turismo. Segundo o diretor de assuntos internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagem (ABAV), Leonel Rossi Júnior, o governo brasileiro agiu de forma apressada. "A própria OMS já demonstrou que não há motivos para isso", diz. Em relação à Argentina, destino de cerca de 900 mil brasileiros em 2008, Rossi Júnior afirma que o impacto será grande, apesar de poucas pessoas terem cancelado suas viagens até ontem (mais informações na pág A25)."A medida foi prematura", diz. "No fundo, acabou sendo um jogo político entre a secretaria estadual (paulista) e o ministério para ver quem anunciaria antes." O setor turístico argentino também protestou. Ontem, representantes da Associação Argentina do Direito do Turismo - que na terça-feira haviam classificado a recomendação do Brasil de "discriminatória", indicaram ao Estado que a medida poderia provocar uma queda drástica do fluxo de turistas brasileiros para o sul da Argentina. Segundo os representantes, só por causa da recessão, semanas atrás, as estimativas eram de uma queda de 25% no número de turistas brasileiros. "Mas, agora, essa proporção pode aumentar de forma preocupante", indicaram. Em média, no inverno, 40 mil brasileiros visitam Bariloche.O Departamento de Turismo da cidade ressaltou que Bariloche é um destino turístico "que conta com todos os meios de prevenção." Segundo o Serviço Nacional de Turismo do Chile, "o país segue todos os protocolos preventivos da gripe suína estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda não restringir as viagens." SAIBA MAISOnde posso saber quais são as regiões mais afetadas pela gripe?A lista de países afetados pela doença está no site do Ministério da Saúde (www.saude.gov.br)A gripe suína é mais grave do que as outras?Ainda estão sendo feitos estudos sobre o assunto, mas até agora a taxa de letalidade tem sido baixaEntão por que a OMS declarou pandemia? O nível máximo de alerta leva em consideração se há caso de transmissão sustentada da doença em duas ou mais regiões do mundoO que indica um caso suspeito de gripe suína?Febre acima de 37,5ºC, tosse ou dor de garganta acompanhadas ou não de dores de cabeça, musculares, nas articulações e dificuldade respiratória, por até dez dias após sair de país afetado ou ter contato com um caso suspeitoO que fazer se houver suspeita de contaminação?Busque um serviço de saúde. Cubra boca e nariz ao tossir ou espirrar e lave as mãos. Só casos graves são internadosDeve-se evitar viajar para países que tenham casos?É recomendação do Ministério da Saúde, mas não está em vigor nenhum tipo de proibição. A OMS considera que não há razão para deixar de viajar Hospitais de referênciaEm São Paulo: HC - 3069-6405Emílio Ribas - 3896-1200 Hospital S. Paulo - 5576-4000 Hospital do Grajaú - 3544-9444 Centro de Referência e Tratamento de Aids - 5087- 9836