Casos são mais de mil em 21 países; mortes chegam a 26

Jamil Chade - O Estado de S.Paulo

Apesar de aparentemente perder força no México, a OMS registrou ontem 1.085 casos em 21 países, com 26 mortes. Os números mais elevados continuam na América do Norte. São 590 casos no México, 286 nos Estados Unidos e 101 no Canadá. A OMS alerta que o vírus começa a caminhar em direção ao Hemisfério Sul, onde há o risco de que surtos da epidemia apareçam na temporada de inverno. Os casos na América Latina começam a chamar a atenção, enquanto suspeitas são registradas na África. Na China, as autoridades preveem trabalho para os próximos meses. A OMS diz que não tem planos de decretar uma pandemia, por enquanto. Mas o cenário pode mudar se novas regiões revelarem surtos. Segundo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a OMS o informou que o nível de alerta mundial não seria modificado se o atual padrão se mantiver. Mas Costa Rica, Colômbia e El Salvador registraram casos nos últimos dias. Na Espanha, 54 casos foram registrados até ontem, contra 18 no Reino Unido. Portugal registrou seu primeiro caso. Hoje ocorre uma reunião de cientistas, inclusive brasileiros, para avaliar as conclusões tiradas sobre o vírus. Entre elas, a de que pessoas jovens e saudáveis também morreram e de que a diarreia é mais intensa do que em uma gripe comum. O período de incubação seria maior: mais de cinco dias. Para que uma pandemia fosse declarada, uma nova região teria de registrar contaminação sustentável do vírus. Apesar do aumento no número de casos e de países afetados - 21 até agora -, não haveria sinais de transmissões além das pessoas que voltaram do México. Margaret Chan, diretora da OMS, chegou a insinuar que uma elevação no nível de alerta poderia ocorrer. "Mas isso quer dizer que estamos chegando perto do fim do mundo", disse. Uma pandemia não significa que o vírus é mortal ou que é severo. Só se refere à capacidade de transmissão do vírus. Tanto Chan como Ban Ki-moon tentaram evitar pânico entre governos, apontando que "não há indicações de que o mundo esteja enfrentando uma situação similar à de 1918", a da gripe espanhola, que matou 40 milhões de pessoas. Chan admitiu que não há uma indicação de quanto tempo o atual nível de alerta poderia ser mantido. Dick Thompson, porta-voz da OMS, afirmou que o nível de alerta dependerá de como o vírus vai se comportar. Chan admite que elevar o nível de alerta para o grau máximo causaria um "pânico desnecessário".