Capital do México fica parada até o dia 6 de maio

Daniela Pastrama, com AFP - O Estado de S.Paulo

Ontem, as ruas do bairro de Condesa, que na última década se transformou no centro cosmopolita da Cidade do México, parecia um lugar fantasma. As ruas estavam vazias, os toldos dos bares, levantados, e dezenas de trabalhadores, protegidos com máscaras cirúrgicas, esperando alguém pare para comprar alguma coisa."Se não morrer de gripe, vou morrer de fome", diz um garçom da Creperie de la Paix, um dos restaurantes mais antigos de Condesa. Ao seu lado, um cartaz informa que o local só aceita encomendas para viagem. É uma ordem da Prefeitura para fazer frente à epidemia de gripe suína.Mas ao meio-dia ninguém parou para fazer algum pedido na Creperie e em nenhum outro restaurante do bairro. "A crise econômica já nos pegou forte e agora isso... Nós vivemos das gorjetas e não sabemos o que vai suceder", diz um outro funcionário com ar sombrio.Observa-se o mesmo cenário em todo o centro, recuperado pela administração passada; no elegante bairro de Polanco e nas áreas tradicionais de San Ángel e Coyoacán, como também no corredor hoteleiro de Paseo de la Reforma, onde os patrões já anunciaram um corte de 50% do pessoal. Tudo está "morto". Sepultado por decreto até 6 de maio.Num mercado de frutas e verduras do bairro Nápoles, onde está o World Trade Center, os proprietários comentam com seus clientes a queda da atividade da Central de Abasto da Cidade do México, mercado atacadista e o segundo centro econômico mais importante do país, depois da Bolsa de Valores do México (com transações comerciais superiores a US$ 8 bilhões anuais).O governo mexicano estima que o impacto econômico da epidemia causada pelo vírus da gripe suína será de 0,3% a 0,5%, disse ontem o secretário da Fazenda, Augustín Carstens. EUAO presidente Barack Obama considerou a situação da gripe suína nos EUA preocupante, mas longe de causar "pânico". Ontem, o país confirmou a morte de uma criança mexicana no Estado do Texas e o número de infectados chegou a 91. "Isso nos provoca profunda preocupação, mas não pânico", disse Obama durante uma coletiva de imprensa, por seus cem dias no poder. Ele também garantiu que a fronteira com o México não será fechada. "Seria inútil fechar as portas do estábulo quando os cavalos já estão do lado de fora, uma vez que temos casos nos EUA", disse Obama. O departamento de Saúde do Texas confirmou que a criança morta vivia na Cidade do México e havia cruzado a fronteira em 4 de abril com sua família para visitar parentes em Brownsville.