Campanha vai mostrar riscos dos suplementos

Simone Iwasso e Marcela Spinosa - O Estado de S.Paulo

Associação Brasileira de Academias de Ginástica vai distribuir cartazes e folhetos nos pontos de venda

O uso indiscriminado de suplementos alimentares preocupa tanto que a Associação Brasileira de Academias de Ginástica (Acade) lançará nos próximos meses uma campanha sobre esses produtos. A ideia é distribuir cartazes e folhetos nas academias de ginástica, muitas delas também ponto de venda dessas substâncias.De acordo com o presidente da entidade, Cláudio Albuquerque, especialista em medicina do esporte, quem faz exercícios duas a três vezes por semana não precisa de suplementação alimentar. "Existe uma precipitação das pessoas em repor algo que o organismo não está pedindo. Se ela caminha 40 minutos, não precisa de isotônico. Água é suficiente."Ele ressalta que o uso de suplemento precisa de orientação profissional. "Eles são indicados para atletas e para quem tem dificuldade em obter alguma substância em sua refeição diária, mas o suplemento não substitui alimentação."Pelo contrário, as substâncias mais usadas - proteínas, aminoácidos, maltodextrina, vitaminas e minerais, creatina e queimadores de gordura (fat bunner, em inglês, como é mais conhecido) - além de não substituírem uma refeição equilibrada, trazem problemas quando ingeridos sem controle.Uma das substâncias populares entre os homens, a creatina, é um componente celular que fornece energia para o músculo quando ele precisa de movimento rápido - por exemplo, um jogador de futebol quando sai correndo de uma hora para outra. O problema é que a ingestão em excesso dessa substância faz com que o músculo retenha água. "A pessoa passa a reter água no músculo, ele fica inchado e dá impressão de que aumentou a massa muscular, por isso os jovens tomam", diz a nutricionista Márcia Daskal. "Com isso, a pessoa acumula mais resíduos tóxicos e sobrecarrega os rins", explica.A nutricionista Daniela Silveira, da Unifesp, afirma que, quando conta isso para seus pacientes, eles ficam surpresos. "Eu digo: ?Já que você está tomando isso, vamos colocar logo seu nome na lista de transplante de rim, para garantir no futuro?", conta ela. "O exagero de proteína é um problema. Os garotos ingerem proteína e cortam carboidrato, sem saber que, sem fonte de energia, o organismo não vai mandar a proteína para o músculo." Praticante de meia maratona, trekking e três horas de malhação diárias, a artista plástica Flávia Heilman, de 30 anos, faz uso de suplementos há 13 anos para melhorar a performance. Tudo ia bem até a hora em que ela começou a sentir taquicardia, a ter tremedeiras, insônia e perda de apetite, entre outros sintomas. "Fiquei com síndrome do pânico seis anos depois de começar a tomar produtos para queima de gordura. Se estava cansada, tomava um para dar pique. Se retinha líquido, tomava um para urinar", recorda. Depois disso, ela foi a um psiquiatra, suspendeu os produtos e teve de tomar antidepressivo para se curar. Após o susto, procurou um especialista que indica os suplementos alimentares necessários para seu biotipo e para a modalidade de atividade física que pratica.O empresário Fernando Alves, de 31 anos, teve um problema semelhante. Ele usava ao mesmo tempo dois suplementos. "Tive uma alergia na pele e minha taxa de hormônio foi alterada. Suspendi o uso dos produtos na hora e fui a um médico", conta. Com a experiência problemática, ele pede que as pessoas que desejam tomar esse tipo de produto procurem um médico. "Se a pessoa não faz uma atividade de alta performance, faça uma dieta balanceada com nutricionista e pratique atividade física, que será suficiente."