Butantã pode iniciar produção neste ano

Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Ministério deve decidir se prioriza vacina contra gripe comum ou suína

O Instituto Butantã pode começar a produzir a vacina contra o vírus A(H1N1) em outubro, quando ficará pronta a primeira unidade da América Latina com tecnologia para fabricar o insumo. "Já temos uma planta piloto, onde desenvolvemos e testamos a vacina contra a gripe sazonal (comum) e aviária", explica o presidente da Fundação Butantã, Isaías Raw. "Vamos usá-la por enquanto."   Veja o mapa da gripe e saiba como se prevenir da doençaSegundo o pesquisador, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deve enviar em 15 dias o vírus atenuado - enfraquecido para não causar a doença em humanos - que será usado na produção da vacina. "Ainda faltarão os reagentes", afirma Raw. "Mas já vamos reproduzir o vírus no laboratório em ovos fecundados de galinha."Em setembro, técnicos do laboratório francês Sanofi-Aventis - que transferiu a tecnologia de produção da vacina para o Brasil - vão inspecionar a planta. No mesmo mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve autorizar o funcionamento. A fábrica, localizada no instituto em São Paulo, recebeu investimentos de R$ 54 milhões do Ministério da Saúde e do governo estadual. Servirá também para produzir as doses de vacina contra gripe sazonal e formar o estoque de imunizações contra a gripe aviária. O custo para produzir cada dose será, em média, de R$ 5,00. Atualmente, o instituto realiza apenas o envasamento das vacinas compradas da França e usadas na campanha nacional de imunização de idosos. "Seremos autossuficientes na produção de vacinas contra influenza", afirma Raw.A planta deveria entrar em funcionamento no ano passado, mas adaptações no projeto inicial atrasaram a conclusão das obras. "Já está tudo montado", aponta o pesquisador. "Em breve, vamos instalar a última máquina que falta: um equipamento para descartar os ovos que sobram no fim do processo."Ainda segundo Raw, "em outubro podemos começar a produzir vacinas para a gripe sazonal ou suína. A decisão será do Ministério da Saúde".Ele explica que o processo de produção da vacina é semelhante para qualquer cepa de vírus, mas são necessários quatro meses para produzir os 23 milhões de doses da campanha nacional contra a gripe sazonal. "Se o ministério preferir produzir primeiro vacinas contra a gripe comum, começamos a produção da vacina contra a gripe suína em janeiro." A gripe comum causa cerca de 500 mil mortes anuais no mundo e, até o momento, sabe-se que a nova gripe suína gerou 145 óbitos.A ideia inicial é produzir 100 mil doses contra o A(H1N1), mas podem chegar a 1 milhão se o vírus se espalhar no País. Profissionais de saúde e pessoas que tiveram contato com infectados pela doença serão vacinados prioritariamente. Raw não descarta a compra de um lote inicial de vacinas das multinacionais caso o ministério priorize a produção de imunizações contra a gripe sazonal.A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, deixou claro anteontem que a entidade conta com a produção de vacinas do Instituto Butantã para oferecer o produto a países em desenvolvimento. Raw afirma que o Brasil tem capacidade para produzir um excedente voltado à exportação. "Além disso, é uma medida interessante para o País. Auxiliar na imunização dos nossos vizinhos poderá diminuir o impacto da doença aqui", aponta.Procurado ontem, o Ministério da Saúde informou que não foi avisado pelos laboratórios sobre a fabricação de vacina da gripe suína nem houve pedido de registro no Brasil.De acordo com o ministério, a decisão, por enquanto, é apenas acompanhar com interesse o que tem sido feito em relação à evolução do combate à gripe suína ao redor do mundo.