Burocracia prejudica madeireiros legais

João Domingos, TAILÂNDIA (PA) - O Estado de S.Paulo

Por dois anos, prefeito diz ter pedido autorização à Sema para reflorestar, mas sem sucesso

Nestor Schmit parou as atividades de sua serraria em 2005, por falta de madeira certificada. Três anos depois de sua atitude, radical para um madeireiro de Tailândia, pretende voltar à atividade. Dono, com os filhos, de três áreas de 6 mil hectares com a floresta intacta, está pedindo à Secretaria do Meio Ambiente (Sema) do Pará que libere o desmatamento de 20% das propriedades, conforme determinação do Código Florestal. Como outros que desejam trabalhar na legalidade, enfrenta a burocracia dos órgãos públicos.Edson Schmit, seu filho e sócio, lembrou que todas as exigências foram cumpridas. Falta só autorização da Sema para que eles voltem a dar emprego e fazer funcionar equipamentos de R$ 4 milhões. "Tivemos de demitir 70 funcionários quando paramos. Pagamos todos os direitos sociais, acima do que devíamos, o fundo de garantia. Eles até fizeram festa", disse Nestor.O prefeito de Tailândia, Gilberto Sufredini, é madeireiro. Tem muitos processos à espera de aprovação da Sema - um deles, de autorização para reflorestar, está lá há dois anos, ou seja, a burocracia impede a redução do desmatamento e o reflorestamento de áreas degradadas. Gilberto refloresta há 15 anos, mesmo quando todos diziam que era "doido", pois naquela área só fazia sentido tirar madeira. Em 2006 e 2007, pediu autorização para plantar e não recebeu. "No ano passado eu plantei, mesmo sem autorização. Devo ser o único caso no Brasil de alguém que faz reflorestamento ilegalmente." Gilberto tem 2,5 milhões de pés de árvores plantados. Faz as próprias mudas. Tem milhares delas aguardando autorização.Atualmente serra madeira comprada de lote leiloado, na região de Tucuruí. Todos os dias, dois caminhões deixam sua serraria rumo a São Paulo, Rio e Paraná. Cada um rende R$ 30 mil. Já teve 200 funcionários. Hoje, tem 70. A Secretaria do Meio Ambiente do Pará não quis dar nenhum esclarecimento sobre a demora na liberação das licenças.HISTÓRICOEm 26 de fevereiro do ano passado, um grupo de 300 integrantes da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e do Ibama iniciou, por Tailândia, a Operação Arco de Fogo, a maior investida policial na Amazônia Legal destinada a reprimir o desmatamento, começando pelas madeireiras irregulares do local. DIFICULDADESGilberto SufrediniPrefeito de Tailândia e madeireiro"Devo ser o único caso de alguém que refloresta ilegalmente"Nestor SchmitMadeireiro"Tivemos de demitir 70 funcionários quando paramos"