Botox para a beleza interior

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Não é justo subestimar os efeitos que uma ruga pode causar na vida de um ser humano. Para muitos, aquela simples aplicação da toxina botulínica - conhecida popularmente como Botox, um de seus nomes comerciais - em um pé de galinha estaria na categoria terapêutica e não estética.Mas, sem considerar marcas de expressão como problemas de saúde, existem hoje dezenas de aplicações estritamente terapêuticas da toxina botulínica tipo A. A substância vem se mostrando eficaz para o tratamento de problemas que vão desde paralisia muscular até incontinência urinária. Quando os primeiros testes com a toxina começaram a ser feitos, nos anos de 1950, o objetivo era descobrir aplicações terapêuticas (leia-se curas para doenças) para ela. E, em 1980, o Botox começou a ser usado no tratamento de espasmos dos músculos oculares. A descoberta do uso cosmético foi feita em 1987, pelo casal de médico canadenses Jean e Alastair Carruthers. Os dois observaram os efeitos do Botox sobre a pele de uma paciente que estava sendo tratada de um problema oftalmológico, para o qual o medicamento era indicado. A mais nova serventia parece ser para a bexiga hiperativa, um tipo de incontinência urinária. Neste caso, a bexiga sofre contrações involuntárias, fazendo com que a pessoa sinta uma vontade urgente de urinar repentinamente, não conseguindo segurar muitas vezes. A aplicação da toxina botulínica tipo A não é um tratamento definitivo. Ele dura mais ou menos seis meses. ?Mas já tive um paciente que ficou mais de um ano com o resultado?, diz o urologista Carlos Truzzi, da Sociedade Brasileira de Urologia. Um dos pioneiros na aplicação da substância para pacientes com este problema, Truzzi diz que,antes da toxina, as opções existentes eram medicamentos orais ou cirurgia para ampliação da bexiga. Como em muitas outras aplicações terapêuticas, o uso do botox no caso da bexiga hiperativa é uma alternativa intermediária. Ele fica entre um método tradicional ou conservador - como uma fisioterapia ou medicamentos - e outro muito invasivo, como uma cirurgia.Pessoas com hiperidrose, um problema de suor excessivo, podem receber injeções se não quiserem ficar secando o suor com um lenço ou optar pela cirurgia de simpatectomia. Boa parte das aplicações terapêuticas se concentram na neurologia. O primeiro uso da toxina nesta área foi para a distonia cervical. Distúrbio do movimento que provoca contrações involuntárias dos músculos do pescoço, pode provocar dores severas e diminuir muito a qualidade de vida. ?A aplicação da toxina bloqueia a contração excessiva?, diz a neurologista Susan Chien Hsin Fin, da Universidade de São Paulo (USP).As doses usadas nas aplicações terapêuticas variam e são bem maiores do que as usadas nos casos estéticos. Segundo a doutora Susan, é preciso calcular bem as unidades da toxina para que o músculo não fique enfraquecido.