Bônus para docente cria polêmica no Rio

Alexandre Rodrigues - O Estado de S.Paulo

Proposta para rede municipal prevê 14.º salário para quem atingir metas

O sistema de metas de aprendizagem que a nova secretária municipal da Educação do Rio, Cláudia Costin, quer implantar nas cerca de mil escolas de ensino fundamental da prefeitura divide opiniões no Rio.O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação não concorda com a ideia de oferecer um bônus a professores e funcionários de escolas que alcançarem metas em avaliações de português e matemática. A secretária anunciou que vai pactuar com os diretores de cada escola metas anuais. Ela estuda premiar os profissionais com uma espécie de 14º salário. A coordenadora do sindicato, Vera Nepomuceno, diz que os professores não concordam com a política de metas e bônus. "Ao medir resultados, é preciso também avaliar as condições dos professores, que são muito diferentes. Estão trazendo uma lógica de mercado, mas escola não é empresa."Cláudia rebate afirmando que não haverá metas universais. Elas serão fixadas para cada unidade, levando em consideração as condições locais. Os professores de escolas em áreas violentas terão incentivos "expressivamente" maiores. Ela também pagará um "adicional de difícil acesso" para incentivar a permanência dos docentes nessas áreas.Para a pedagoga Diva Conde, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sem reestruturar profundamente as escolas, metas de curto prazo depositam a responsabilidade apenas no professor. Zacarias Gama, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), avalia que as premiações podem criar um clima negativo de competição entre escolas. "A ideia é boa para uma fábrica de sola de sapato. Na escola não se trabalha em linha de produção. O que falta é uma política séria de governo que dê condições para atingir metas de longo prazo."O Estado de São Paulo vai adotar neste ano o bônus salarial para professores que melhorarem o desempenho dos alunos com base em meta preestabelecida - o Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp). É calculado com base nas notas dos alunos e dos índices de evasão e repetência. A escola que alcançar a meta recebe o bônus integral, o que equivale a 2,4 salários. Minas e Pernambuco também vão adotar medida semelhante.