Bispo considera fraco manifesto sobre a família

José Maria Mayrink, INDAIATUBA (SP) - O Estado de S.Paulo

Documento cita de passagem casais em 2ª união e sugere acolhimento; presidente da comissão episcopal para o tema pede mais contundência

Os casais de segunda união, que partiram para novo casamento após a separação, são convidados a participar da vida comunitária nas paróquias, mas não podem comungar, pois a Igreja não admite o divórcio. E, pela manifestação da 47ª Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que termina hoje em Itaici, município de Indaiatuba, a situação não vai mudar. "Sabemos que os católicos em segunda união se sentem discriminados e excluídos, mas lembramos que eles não são mais considerados infames, como no passado, pois, se não participam da eucaristia, podem se aproximar de outras celebrações, como a mesa da palavra e a mesa da caridade", disse d. Orlando Brandes, arcebispo de Londrina (PR) e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família.Um manifesto em favor da família aprovado pela assembleia refere-se de leve aos casais em segunda união, ao pedir que a Pastoral Familiar, Movimentos, Serviços e Institutos da Igreja acolham "as (famílias) que se encontram em situações especiais". O acolhimento consiste em engajar recasados em celebrações litúrgicas, embora sem acesso aos sacramentos. D. Orlando lamentou o tom genérico do manifesto. "Pela nossa proposta, o texto deveria ser mais contundente, mas a maioria dos bispos foi contra, optando por uma manifestação mais positiva. Na opinião do presidente da Comissão para a Família, o manifesto deveria ter sido chamado de nota, pois não tem a força pretendida. "Atualmente, há no Congresso cerca de 40 projetos contra a vida ou contra a família, enquanto existem organizações que interpretam uniões de fato como uniões de família e outras que se manifestam publicamente com projetos que não combinam com o nosso conceito de família", afirmou d. Orlando, ao enumerar uma série de problemas enfrentados por aqueles defendem a família segundo a doutrina da Igreja.O arcebispo de Londrina revelou que a assembleia de Itaici levantou a questão da família a pedido de parlamentares católicos e evangélicos. "Eles nos pediram um manifesto sobre a posição da CNBB para que possam trabalhar nessa linha." NOVA SEDEA partir de 2011 as assembleias da CNBB serão realizadas no Santuário de Aparecida, no Vale do Paraíba (SP). A decisão se deu com base em projeto apresentado pelo arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno - que prevê a construção de instalações com condições para atender à CNBB, com hospedagem, auditórios e salas de reuniões para, pelo menos, 500 pessoas. Em 2010, a reunião será em Brasília por causa do Congresso Eucarístico, organizado pela arquidiocese da capital federal.