Bioconstrução cria casas verdes

- O Estado de S.Paulo

Entre os pilares das ecovilas está o uso de técnicas de construção que minimizem impactos ao ambiente. Uma dessas correntes é a da bioconstrução, que prevê a reciclagem e uso de materiais disponíveis na região. "Isso permite maior integração com o entorno, tanto nos aspectos estéticos como nos funcionais", explica o arquiteto Daniel Quintão, especialista em bioconstrução pelo Centre Ecologique Terre Vivante, na França. A escolha das técnicas construtivas e dos mecanismos de redução de efluentes e de lixo deve considerar clima, relevo, material e mão de obra disponíveis. Para economizar energia, os projetos dão prioridade à ventilação e iluminação natural. Há também a opção do aquecimento solar e de cataventos, por exemplo, para gerar energia eólica.O recurso do "teto verde" como cobertura ajuda a regular a temperatura e a captar água da chuva, armazenada em reservatórios subterrâneos e utilizada para vários fins, como dar descarga.Os projetos sempre incluem o tratamento de esgoto. Em alguns casos, os imóveis têm o "banheiro seco", para transformar resíduos em húmus e reutilizá-los como adubo. "Algumas pessoas não acreditam que a gente consegue viver em ecovila. Mas é uma mudança de hábito", diz Marcelo Bueno, arquiteto e secretário executivo do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (Ipema), em Ubatuba. As telhas da sede do Ipema foram feitas a partir da reciclagem de tubos de pasta de dente. As paredes das casas podem ter como matéria-prima adobe, tijolo de terra crua, bambu e pau-a-pique. Mas até o cimento é usado, em menor escala.