Berlusconi quer frear eutanásia

Efe, Roma - O Estado de S.Paulo

Primeiro-ministro busca aprovar decreto com urgência

O governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi tenta aprovar uma lei que evite o cumprimento da sentença do Supremo Tribunal italiano que autorizou a família de Eluana Englaro, em coma desde 1992, a deixá-la morrer. "Estamos preparados para intervir", afirmou Berlusconi. A Igreja Católica e o partido democrata-cristão UDC pediram que o Executivo tomasse tal atitude. Segundo a imprensa local, o presidente Giorgio Napolitano teria comunicado de maneira informal sua "perplexidade" e teria afirmado a intenção de não assinar o decreto. Partidos de oposição também se declararam contrários à medida.Segundo meios de comunicação do país, o rascunho do decreto teria o seguinte texto: "A alimentação e a hidratação, como formas de suporte vital e fisiologicamente com o propósito de aliviar o sofrimento não podem ser rechaçadas em nenhum caso pelas pessoas ou por aqueles que ajudam a quem não depende de si mesmo." Com esta medida, o Executivo italiano espera deter a redução em 50% da alimentação de Eluana, prevista para ocorrer a partir de hoje, segundo o neurologista Carlo Alberto de Fanti.Ela está internada desde segunda-feira em uma clínica particular em Udine, sob os cuidados de uma equipe de voluntários que se dispuseram a suspender progressivamente sua alimentação, de acordo com o desejo de seu pai, Giuseppe, que entrou na Justiça para ter o direito de deixar a filha morrer. Segundo o pai de Eluana, "quando ela deixar de existir, voltará a uma dimensão humana, porque até agora ela tem vivido em uma dimensão inumana". Domenico Gramazio, vice-presidente da comissão de Saúde do Senado, afirmou que "estamos mantendo reuniões para aprovar a medida no menor tempo possível", no máximo até segunda-feira. Segundo os especialistas, Eluana levará várias semanas até morrer.Os advogados da família Englaro disseram em nota que um decreto desse tipo deteria a iniciativa, mas se trataria de uma "hipótese constitucionalmente anormal e sem precedentes na história" do país. Um partido de oposição afirmou que a aprovação do decreto seria "inconstitucional". Para o secretário do Partido da Refundação Comunista, a Itália parece "um Estado governado por aiatolás".