Bento XVI fará 1ª visita ao Oriente Médio

Leda Balbino - O Estado de S.Paulo

Agenda prevê encontro com líderes muçulmanos e judeus em Israel, na Jordânia e nos estados palestinos

Com o objetivo de "rezar pela paz no Oriente Médio e pela humanidade", o papa Bento XVI inicia na próxima sexta-feira uma visita de uma semana à Jordânia, Israel e territórios palestinos. Será a primeira viagem de um papa a um país árabe e à Terra Santa desde 2000, quando João Paulo II esteve lá. A peregrinação será também a primeira de Bento XVI aos locais sagrados do cristianismo desde que se tornou papa, em 2004.O giro pelo Oriente Médio começa na Jordânia, onde a agenda de três dias foi celebrada como sinal de prestígio pela comunidade de 220 mil cristãos jordanianos - ou 4% da população de 5,5 milhões de habitantes. No país árabe, Bento XVI encontrará o rei Abdullah II e a rainha Rania e conhecerá no Rio Jordão o local de batismo de Cristo. Ele repetirá o roteiro de João Paulo II: visitar o Monte Nebo - onde se acredita que Moisés contemplou a Terra Prometida - e celebrar uma missa no Estádio Internacional de Amã. Um dos momentos mais importantes promete ser a visita à Mesquita de al-Hussein, em Amã, a maior da Jordânia, onde se reunirá com líderes muçulmanos e acadêmicos religiosos. É a segunda vez que o pontífice irá a um local de adoração muçulmano: em 2006, rezou na Mesquita Azul da Turquia."A viagem ajudará a construir pontes com a fé islâmica e fortalecer o Fórum Islâmico Católico (FIC)", disse o padre Rifat Bader, porta-voz da Igreja Católica na Jordânia. Aprovado em 2008 por Bento XVI, o FIC é um fórum permanente de diálogo entre as duas religiões. No dia 11, Bento XVI segue para Israel e territórios palestinos, onde visitará Belém, local do nascimento de Jesus; Nazaré, onde Cristo passou a maior parte de sua vida; e Jerusalém, local de sua crucificação e ressurreição.O aspecto político da visita do papa à região também estará evidente, especialmente por causa da ofensiva de 22 dias lançada por Israel na Faixa de Gaza entre dezembro e janeiro. "Um ponto fundamental da política externa do Vaticano é a defesa do Estado de Israel e da paz no Oriente Médio, pois é inadmissível o fato de a região onde Cristo nasceu viver em guerra", disse ao Estado o sociólogo Francisco Borba, da PUC-SP.Nos quatro dias de sua visita, Bento XVI reúne-se com os presidentes palestino, Mahmoud Abbas, e israelense, Shimon Peres, e com o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu. Empossado em março, o governo do novo premiê israelense rejeita a criação do Estado palestino.A viagem a Israel também permitirá a renovação dos laços do rabinato judaico com o Vaticano. As relações foram rompidas em janeiro, quando o pontífice decidiu suspender a excomunhão do bispo Richard Williamson, que nega a extensão do Holocausto e a existência de câmaras de gás. Depois de intensa diplomacia, Bento XVI conseguiu conter os protestos da comunidade judaica sobre sua decisão, tomada com o objetivo de pôr fim a um cisma na Igreja Católica.