Bebês são contaminados em UTI

Tatiana Favaro, CAMPINAS; Fabiane Leite - O Estado de S.Paulo

Surto de infecções por vírus no Hospital da Mulher da Unicamp leva à suspensão dos partos; 1 criança morreu

O Hospital da Mulher da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), referência no País, suspendeu ontem todos os partos em razão de um surto de infecções por um vírus respiratório na UTI neonatal. Atendimento ambulatorial e internações que não forem para partos foram mantidos.Um bebê de aproximadamente 2 meses morreu. Outros 14 recém-nascidos permanecem internados e isolados, dois em estado grave, contaminados pelo VSR (Vírus Sincicial Respiratório). A unidade, que realiza 300 partos mensais, informou que a morte da criança não teria relação direta com o surto, e sim com outros problemas de saúde. As internações de bebês na UTI de 30 leitos semi-intensivos estavam suspensas desde o dia 21, quando foi diagnosticado o terceiro caso da doença, configurando-se assim o quadro de surto.Segundo a diretora associada do hospital, Ângela Maria Bacha, o bebê que morreu apresentava alterações cromossômicas, cardiopatia congênita, defeito de fechamento na parede abdominal e alterações neurológicas. "Era um quadro grave e a criança estava muito fragilizada", afirmou. Não foram encontrados problemas no controle de infecções hospitalares no local, segundo recente relatório do Ministério Público e do Conselho de Medicina.Tanto as crianças contaminadas quanto os outros recém-nascidos que não foram infectados recebem tratamento com anticorpo monoclonal (mais informações nesta página). "Nas crianças em que o vírus foi detectado, o objetivo é reduzir a gravidade e a duração da doença. E naquelas não contaminadas, a intenção é melhorar a imunidade e diminuir a possibilidade de contaminação", disse Ângela. Sobre os bebês internados com quadro grave, ela enfatizou que um "já chegou com quadro pulmonar muito grave" e que outro "é prematuro extremo, com menos de mil gramas".A diretora disse que o vírus entrou na UTI neonatal por meio de crianças internadas. "Provavelmente elas tiveram contato com o vírus lá fora. Os familiares estavam com quadro respiratório", afirmou.O VSR foi descrito em 1956 e é considerado o principal causador de doenças do trato respiratório inferior em menores de 1 ano. Segundo a virologista Marilda Siqueira, do Laboratório de Vírus Respiratórios da Fundação Oswaldo Cruz, estudos mostram que até 60% das crianças de até 2 anos se infectam pelo menos duas vezes com o vírus, que no Hemisfério Sul circula a partir do fim do outono e no inverno. "Como é de transmissão respiratória, é muito fácil de pegar. Se uma criança doente é colocada em uma enfermaria, não é difícil que outras se contaminem por secreções no ar, pelas mãos dos profissionais que não fazem a higiene necessária e até pelos pais que visitam esses locais."