Aval feminino

Fabiana Caso - O Estado de S.Paulo

O selo Empresa Amiga da Mulher será concedido a organizações que atuam em prol dos direitos femininos

Logo logo, os produtos poderão revelar se uma marca respeita os direitos de igualdade da mulher no ambiente corporativo e se investe em projetos sociais direcionados à população feminina carente. Está saindo do forno o Selo Empresa Amiga da Mulher, uma criação da Business Professional Women São Paulo - BPW (Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais), em parceria com a Dearo Marketing Social. Para ostentá-lo em seus produtos, camisetas, etiquetas ou até caminhões, a empresa terá de respeitar os direitos femininos previstos pela Organização das Nações Unidas (ONU), além de promover programas em benefício das mulheres, tanto dentro como fora do ambiente corporativo. Na prática, isso significa garantir a igualdade de salários e adotar iniciativas em prol da mulher, como a instalação de berçários e creches dentro da empresa, a promoção de palestras voltadas para o público feminino e até a flexibilidade de horários no trabalho, para que tenham tempo para a família. As empresas também terão que contribuir com a BPW. Parte do fundo vai manter a estrutura da associação, que está crescendo, e o restante será destinado a ONGs com projetos sociais para mulheres. "Geralmente consegue-se mais recursos quando se trata de programas focados em crianças", constata a presidente da BPW em São Paulo, a executiva de banco Márcia Kitz. "Mas a mulher é o centro de tudo na família: é ela quem ensina os filhos e dá suporte ao marido", completa Fernanda Dearo, coordenadora das associadas jovens da BPW São Paulo. Com 33 anos no Brasil, a BPW é uma entidade internacional, com assento permanente na ONU. Foi criada em 1930, em Genebra, na Suíça, pela advogada Lena Madesin Phillips, uma norte-americana inconformada com as barreiras profissionais impostas às mulheres - bastante severas naqueles anos. Lena foi uma das poucas que conseguiu autorização do pai para estudar Direito na Suíça e, formada, tratou de criar a associação, para ajudar outras mulheres a se desenvolverem profissionalmente. REPRESENTAÇÃO Hoje a entidade está presente em mais de 100 países, com 40 mil associadas. E continua dando amparo às mulheres do século 21, que enfrentam jornadas profissional e pessoal. As associadas são convidadas para cursos, palestras e seminários. Participam ainda de congressos nacionais e internacionais, que reúnem as associadas das BPWs de todo o mundo para debater questões de interesse feminino. No Brasil, a entidade tem 28 sedes, 2 mil associadas e parceiros importantes. A atual presidente da BPW São Paulo, Márcia Kitz, identificou-se com sua proposta por também ser ela uma pioneira. Há 40 anos, foi uma das primeiras a ocupar o cargo de gerente geral de banco. Naquela época, ainda que tivessem dinheiro próprio, as mulheres não podiam sequer abrir contas correntes desacompanhadas, muito menos pedir um empréstimo sozinhas. Márcia viu um anúncio sobre uma reunião da BPW e tornou-se associada da entidade, há 16 anos. "Ouvi depoimentos fantásticos e percebi que havia outras mulheres brasileiras profissionais, com desafios parecidos aos meus", lembra. Em sua gestão, está buscando ampliar o número de associadas, atrair pessoas mais jovens e de classes sociais variadas. Hoje, há juízas, médicas, advogadas, professoras e até uma enxadrista (jogadora de xadrez). Entre as iniciativas da BPW, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), está o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. Como a BPW brasileira tem assento permanente na ONU, há um diálogo internacional. Anualmente, as representantes da BPW Brasil levam os projetos brasileiros mais interessantes para lá. Apresentaram, por exemplo, a proposta da Delegacia da Mulher (segundo Márcia, a primeira do gênero no mundo) e a Lei Maria da Penha na sede da ONU. Países como o Egito copiaram a primeira iniciativa, e criaram sua própria delegacia para mulheres. "No próximo congresso internacional, vamos apresentar o selo", anuncia Márcia.