Autógrafo

- O Estado de S.Paulo

Nesta seção, universitários perguntam o que desejam saber a um profissional que admiram

Como você trabalha as suas influências e referências literárias na hora de escrever?Livia Laurenzano, de 27 anos, estudante do 3º ano de Letras da USPLidar com as influências é um processo inconsciente. Não é forçado. Penso que cada autor tem um grupo de escritores preferidos, que fazem parte da sua formação como leitor e, principalmente, como escritor. Por exemplo: eu tenho muita admiração pelo Graciliano Ramos. Sempre gostei dos escritores enxutos, concisos. Por isso, trouxe esse aspecto da concisão que o Graciliano usa muito para o meu texto. Só que isso não significa que eu imite seu estilo. Os temas abordados nos livros dele nunca fizeram parte do meu universo temático. O mesmo ocorre com outros autores muito importantes para mim, como Rubem Fonseca, Wander Piroli e os russos como Dostoievski, além dos meus contemporâneos Cristovão Tezza e Luiz Ruffato.Há também influências que muitas vezes não são notadas pelo público. Fui muito influenciado por histórias em quadrinhos dos anos 60 e 70. E isso se refletiu na minha obra de modo que poucas pessoas percebem.Acho que os autores de quem gostamos influenciam a nossa obra de modo indireto. O grande barato é ler a obra de um escritor e ficar com vontade de escrever. Essa oxigenação, essa empolgação que ocorre no contato com a obra do cara é que é importante. A gente só escreve a partir do que lê, a partir do estímulo que recebemos ao ler certos textos, certos autores. Coletamos pedaços do que existe solto por aí para formarmos nossa própria voz. Acredito que a gente é o que a gente lê. Marçal Aquino, escritor e jornalista