Auditoria deve apontar se há superlotação nas escolas de SP

Maria Rehder - O Estado de S.Paulo

Mapeamento das 5,3 mil escolas estaduais visa a reduzir número de estudantes por sala

A Secretaria Estadual de Educação contratou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para fazer um estudo sobre a quantidade de alunos nas salas de aula das escolas da rede. "Temos a intenção de reduzir o número máximo para 30 alunos de 1ª a 4ª séries, 35 alunos de 5ª a 8ª séries e 40 alunos para ensino médio", disse ao Jornal da Tarde a secretária estadual de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro. A pesquisa começará a ser feita no início de 2008. A Fipe vai mapear todas as turmas das 5,3 mil escolas da rede. "Acreditamos que apenas 4% do total das escolas estaduais enfrentam o problema, a situação é mais grave na Grande São Paulo, onde temos falta de espaço físico para construir escolas e uma movimentação populacional intensa", diz Maria Helena. Hoje, uma resolução da secretaria determina a média de 45 alunos por sala de ensino médio; 40 para turmas de 5ª a 8ª séries; e 35 para classes de 1ª a 4 séries. Uma pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pela Fundação Victor Civita, mostra que dos 250 professores de escolas públicas da capital ouvidos, 27% afirmaram ter mais de 40 alunos por turma. Segundo cálculos feitos pelo JT, de acordo com dados do Ministério da Educação (MEC), para um número máximo de 35 alunos nas classes de 5ª a 8ª séries seriam necessárias 715 novas turmas na capital. Hoje a média é de 37,5. Para reduzir da média atual de 33,9 alunos por sala para 30 entre 1ª e 4ª série, seriam necessárias mais 1.518 novos grupos nas escolas estaduais da capital.O professor da Universidade de São Paulo (USP) José Marcelino de Rezende Pinto explica que hoje o cálculo do número de alunos por sala de aula na rede estadual é feito com base na média do número de alunos matriculados, dividido pelo número total de turmas. Segundo ele, hoje há escolas com salas lotadas e outras vazias. Por isso, a superlotação de algumas turmas não aparece no cálculo da média. Rezende é um dos pesquisadores que participaram do estudo "Custo Aluno Qualidade", feito pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que determina o padrão mínimo de investimento por aluno para garantir a qualidade do ensino na rede pública. "Defendemos o máximo de 22 alunos na pré-escola; 25 de 1ª a 4ª séries; e 30 de 5ª a 8ª e no ensino médio."Segundo análise do professor do Ibmec-SP Naércio Menezes Filho, o número de alunos por turma não foi predominante para o bom desempenho dos alunos que tiveram as melhores notas no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), feita pelo Ministério da Educação. "É possível dizer que no Brasil não há relação entre tamanho de turma e proficiência. Mas o estudo levou em conta a média brasileira, então pode ser que o tamanho da turma tenha impacto na aprendizagem nas regiões mais pobres, ou de filhos de pais com baixa escolaridade."MUITA CONVERSAO professor da rede estadual Luiz Henrique da Costa, que não quis divulgar o nome da escola estadual onde trabalha, vive diariamente o desafio de dar aulas para sete turmas com mais de 40 alunos cada uma. "Tive turma com 45 alunos. É muito difícil, eles não pausam para escutar o professor; quanto mais aluno, mais conversa paralela."Segundo o secretário-adjunto de Comunicação do sindicato dos professores (Apeoesp), Roberto Guido, a intenção da secretaria é um avanço, mas ainda não é o suficiente. A Apeoesp defende como ideal o máximo de 35 alunos por sala de aula no ensino médio, 30 alunos nas turmas de 5ª a 8ª séries e 25 nas classes de 1ª a 4ª séries.