Ato na Paulista: sem confronto

Elida Oliveira - O Estado de S.Paulo

Protesto teve grupo de segurança; trânsito ficou fechado, mas CET diz que congestionamento não foi grande

Parte do trânsito das Avenidas Paulista e Brigadeiro Luis Antônio foi fechada por manifestantes das 13 às 15 h de ontem. Alunos, professores e funcionários das três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) protestaram contra a presença da PM no câmpus da USP no Butantã. O ato começou em frente ao Masp e terminou no Largo São Francisco. Veja notícias e fotografias do protesto Como "medida preventiva" perante a manifestação, a Faculdade de Direito da USP amanheceu fechada. Um comunicado colado na entrada dizia que a intenção era evitar riscos a alunos, funcionários e ao patrimônio da instituição. Alunos reclamaram porque perderam provas e acabaram engrossando o ato da tarde. "É uma atitude antidemocrática do diretor", disse o aluno Ivan de Franco, de 20 anos. Um colega discordou: "Entre fechar a faculdade e chamar a PM, eu fico com a primeira opção", disse Bernardo Pascowitch, também de 20 anos. Ao contrário da manifestação ocorrida na USP no dia 9, quando houve confronto entre policiais e estudantes, o ato de ontem terminou sem conflito - mas uma estudante do curso de Ciências Sociais da USP foi ferida. Segundo testemunhas, um morador de um edifício no cruzamento das Avenidas Paulista e Brigadeiro Luis Antônio lançou um bloco de gelo que a atingiu na testa, fazendo um corte no lado direito. Ela foi encaminhada ao Hospital Vergueiro. Apesar do incidente, a avaliação do major Wanderley Barbosa Filho é que tudo terminou dentro do planejado. "Houve colaboração dos manifestantes, acatando nossas orientações." Cerca de 100 grevistas formaram um comitê de segurança para que os demais não invadissem as vias. Outros 220 policiais seguiram a passeata, enquanto 50 permaneciam no Largo São Francisco. Para o coordenador do Fórum das Seis, João Chaves, o resultado foi positivo. "Esperávamos 3 mil pessoas, mas calculo que chegamos a cerca de 10 mil." Para a PM, o número foi de 1,5 mil manifestantes. As ruas que cruzam com as vias percorridas foram fechadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e o trânsito foi desviado. Apesar de as vias adjacentes terem ficado com filas de veículos parados, a CET informou que o congestionamento não foi significativo. REPERCUSSÃO Com o objetivo de divulgar as pautas da greve, a manifestação causou estranhamento. "Quem é Suely?", perguntaram Bruna Belem e Giovanna Vidigal, de 15 e 16 anos, que estavam em frente a um curso pré-vestibular. Na segunda-feira haverá reunião entre o Fórum das Seis e o Cruesp para retomar as negociações. Os grevistas dizem, porém, que só entrarão na reitoria se a PM tiver saído do câmpus. COLABOROU MARCELA SPINOSA REIVINDICAÇÕES Reposição da inflação de 6,1%, mais 10% para recuperar perdas históricas, além de R$ 200. Para os funcionários do Centro Paula Souza, reajuste de 10% e recomposição das perdas salariais Democratização da estrutura administrativa, do funcionamento dos colegiados e da gestão. Eleições diretas para reitor Autonomia didático-científica, administrativa e de gestão, com revogação dos decretos do governo José Serra que motivaram a invasão da reitoria por 50 dias, em 2007 Contratações por concurso público e revogação das políticas de terceirização. Garantia da manutenção do emprego dos atuais 5.214 ocupantes de vagas da USP que são contestadas pelo TCU Fim da licenciatura a distância criada neste ano