''''Atividade física e mente ocupada'''', receita brasiliense

Lígia Formenti e Ricardo Rodrigues - O Estado de S.Paulo

Segundo o IBGE, as mulheres do Distrito Federal têm a maior expectativa de vida do País: 78,96 anos

Maria Regina de Menezes Neddermayer, de 79 anos, vive no Distrito Federal, onde a expectativa de vida é muito maior que a média nacional para mulheres - chegou a 78,96, ante 76,1 do resto do País. Maria Regina responde rapidamente qual o segredo para chegar a essa idade com disposição de fazer inveja aos sete netos: atividade física, mente ocupada e problemas resolvidos na hora."Não adianta remoer. Melhor é esclarecer tudo e virar a página", ensina. Para as relações pessoais, Regina aplica a mesma precisão e delicadeza que dedica ao jardim cultivado em sua casa, em Brasília. No terreno, há árvores e plantas de vários tamanhos e cores. "Gosto de todas as que estão aqui. Cada uma tem seu tempo, sua peculiaridade", conta. O jardim Regina divide com suas três filhas. Cada uma tem uma casa, construída no mesmo terreno. "Considero-me uma pessoa de muita sorte. Tenho uma ótima convivência com minha família, sinto-me protegida", diz. Regina também gosta de se manter atualizada. Diariamente, ela reserva parte do tempo para ler com atenção quatro jornais. "Desde pequena gosto de acompanhar as coisas que acontecem aqui, no mundo. A mente não pára e a gente não envelhece."NO OUTRO EXTREMOAlagoas, no outro extremo, ocupa o último lugar no Brasil em expectativa de vida. "O Estado é omisso e não adota políticas públicas para melhorar a qualidade de vida de seus habitantes", concluíram as promotoras de Justiça Micheline Tenório e Alexandra Beurlen, do Ministério Público Estadual. Segundo Micheline Tenório, da Promotoria Especializada na Defesa da Saúde, do Idoso e do Deficiente Físico, a baixa expectativa atinge principalmente as camadas mais pobres, aquelas pessoas que mais precisam, mas não têm acesso aos serviços de saúde, de habitação e saneamento básico. "A insegurança alimentar está diretamente ligada à pobreza e à falta de políticas públicas. Portanto, se a expectativa de vida do alagoano está abaixo da média nacional é porque há omissão do Estado em oferecer o mínimo possível para evitar que o cidadão passe fome", afirmou a promotora Alexandra Beurlen. Segundo ela, que fez mestrado sobre segurança alimentar, a grande dificuldade é encontrar dados estatísticos para estipular a quantidade de alagoanos que morrem antes de completar 60 anos e apontar quais as causas desses óbitos. "A única pesquisa que conheço foi feita por uma nutricionista na favela Sururu de Capote, em Maceió, onde a população vive abaixo da linha da pobreza e sofre diretamente as conseqüências da ausência de políticas públicas."Alexandra lembra que o MP de Alagoas entrou com uma ação civil pública exigindo que a prefeitura de Maceió garanta políticas públicas - em saúde, educação, assistência social e habitação - para os moradores da favela Sururu de Capote, na periferia."A prefeitura recorreu, mas já contestamos o recurso e a questão está tramitando na Justiça", acrescentou a promotora, lembrando que os baixos indicadores sociais de Alagoas contribuem decisivamente para reduzir a expectativa de vida.