Atitude positiva convive com medo

Roberta Pennafort - O Estado de S.Paulo

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Para o sambista Neguinho da Beija-Flor, os dois últimos anos têm sido tão difíceis quanto gloriosos. Ele foi operado de um câncer no intestino um mês depois de ser diagnosticado. Em agosto, começou o tratamento quimioterápico. No último Carnaval, cantou o samba da escola da qual é símbolo há 33 anos, na Marquês de Sapucaí, mesmo ainda sendo medicado. No próximo dia 29, o cantor, que passou por tudo isso ao lado da mulher, Eliane, então grávida, vai comemorar 60 anos. Fará um show especial no Canecão, do novo CD, Nos Braços da Comunidade. Antes, embarca para uma turnê por cinco países europeus. São muitas as vitórias, e Neguinho acredita que a atitude positiva que adotou desde que soube que estava doente ajudou a conquistá-las."Primeiro veio o medo de morrer. Depois, as perguntas: vou ver minha filha crescer? Vou conseguir cantar o samba na avenida? Foi meu último desfile? Agora não tenho mais dúvidas, e posso dizer para todo mundo: câncer não mata mais. A quimioterapia maltrata muito, não vou enganar", conta.Mara Manzan, que tirou um câncer do pulmão em abril de 2008 e descobriu que houve metástase, é outra otimista. Ela descobriu os nódulos quando ainda gravava a novela Duas Caras. A quimioterapia começou há um ano. A atriz recebe os medicamentos a cada 21 dias e não sente muitos enjoos. "Se desespero adiantasse, eu ia ter um ataque. Mas como não adianta, prefiro entregar na mão de Deus. O câncer é uma doença como qualquer outra, você pode conviver com ela, lutar. E, se o cabelo cair, força na peruca!" Glória Perez publicou uma foto tirada no hospital em seu blog, de tão triviais que viraram as sessões de quimioterapia - ela as encara da mesma forma de Mara, que já aproveitou o "tempo ocioso" para fazer as unhas com a manicure.