As várias formas de dizer 'eu te amo'

- O Estado de S.Paulo

Período colonial: bilhetes de amor costumavam ser escritos por terceiros, porque a maior parte das pessoas era analfabeta. A expressão da moda era "meu bem da minh?alma". Contava pontos aquele que presenteava sua musa com fitas coloridas, cortes de tecido vindos da metrópole (Portugal) e rendas. E para as mais pobres, galinhas, bananas e laranjas. Século 19: o corpo expressava o código amoroso. Os pés femininos eram o objeto de erotismo máximo para os homens, por isso, as demonstrações românticas eram pisadelas e beliscões. As moças, no entanto, interpretavam canções de amor no piano para seus "suspirantes", que retribuíam com serenatas. Valiam também beijos roubados ou jóias escondidas em buquês de flores. Os homens também ganhavam jóias. Ouvia-se lágrimas e suspiros, sobretudo masculinos. As mulheres enrubesciam. Século 20: no início desse século, surge o "flirt" ou flerte. Namoros se chamavam "grelação". No pós-guerra, o cinema introduziu o beijo intrabucal (de língua) e, mais tarde, o nu. Havia as famosas escapadas de lambreta. Nas festas, dançava-se cheek to cheek, ou seja, rosto colado. Carícias eram por cima da roupa, que incluía a combinação! Casal ideal: Eva Wilma e Jonh Herbert em Alô, Doçura - série de comédia romântica, de 1953. A partir dos anos 90: vale tudo graças à TV e às novelas, que passam a mostrar mais e mais. O romantismo hoje é feito de consumo e criatividade. Saídas e refeições são repartidas e gasolina, também. Presentes em datas específicas permanecem. Surpreendem viagens que fujam dos roteiros normais e presentes exóticos.