As particulares, de olho no português

- O Estado de S.Paulo

Primeira avaliação própria das escolas do setor em SP revela deficiências entre alunos da 5.ª série

O ensino de língua portuguesa nas primeiras séries do ciclo fundamental é o ponto fraco das escolas particulares inscritas na primeira avaliação própria do setor em São Paulo. O exame foi aplicado em 150 colégios do Estado em novembro. Veja o guia do acordo ortográfico Opine sobre as mudanças na língua Leia mais reportagens de educação Na prova de português do 5º ano do ensino fundamental, seis em cada dez escolas tiveram média inferior à obtida em 2007 pela rede particular paulista no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) do Ministério da Educação (veja box). Além dos alunos do 5º ano, participaram do "provão" estudantes do 9º ano do fundamental e 3º ano do ensino médio. Em matemática, o resultado do 5º ano foi um pouco melhor, mas ainda deixou a desejar: 53,6% das escolas tiveram média inferior à da rede privada paulista no Saeb. O ensino médio foi a etapa com melhor desempenho: 71,8% das escolas alcançaram média superior à do exame do MEC. O provão paulista foi aplicado em três dias e teve 70 questões para o 5º ano e 84 para o 9º ano do fundamental e para o 3º do ensino médio. Diretora do Instituto de Avaliação e Desenvolvimento Educacional (Inade), responsável pela prova, Regina Cançado diz que os resultados do exame servem de alerta, porque o desempenho dos alunos do 5º ano permite mensurar a qualidade de ensino oferecida nos primeiros anos de escola: a fase da alfabetização. "A primeira conclusão é que as escolas precisam avaliar seus pontos fracos nas séries iniciais." O Inade foi contratado para fazer o provão pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), que pretende levar o exame para os 9 mil colégios particulares paulistas e aplicá-lo anualmente, para medir a evolução da qualidade do ensino. O instituto vai fornecer às escolas um diagnóstico dos conteúdos de cada disciplina. "Vamos trabalhar com as escolas na elaboração dos projetos de melhoria e avaliar erros e acertos", diz Regina. Para o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Ocimar Munhoz Alavarse, o importante é as escolas receberem os resultados e avaliarem os pontos em que, de fato, precisam se aperfeiçoar. Ele concordou com a não divulgação dos dados. "O sigilo é importante para evitar que os pais troquem seus filhos de escola apenas por causa dos resultados", diz Alavarse, que participou da elaboração da Prova São Paulo - exame da rede municipal de ensino da capital. ESCALA O professor destacou o fato de o provão das escolas particulares permitir a análise do desempenho de um grupo de alunos, ainda que com base em escalas numéricas. "Se o resultado foi 287, basta ir até a escala e olhar quais habilidades pertencem aos que tiram entre 250 e 300 pontos (as escalas variam de 25 em 25 pontos)." Professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Arlete Monteiro afirma que o provão reforçou a necessidade de a rede particular investir na avaliação própria. "Matricular o filho em escola particular não é garantia de qualidade." O Sieeesp anunciou o provão depois que as escolas particulares do Estado tiveram queda de 13,1 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2008. O presidente do sindicato, Benjamim Ribeiro da Silva, afirma que o diferencial do novo exame é o fato de que ele não mede só o desempenho dos alunos, mas analisa todo o contexto escolar, com questionários aplicados a pais e professores. "Não queremos fazer comparações entre escolas como o Enem realiza", diz. "Queremos mostrar onde elas podem melhorar." MARIA REHDER Inade exame privado, já foi aplicado por redes de ensino e em 2008, pela primeira vez, avaliou escolas particulares de SP. Participam alunos do 5.º e 9.º anos do fundamental e 3.º do médio. Tem resultado comparável ao do Saeb e inclui questionários a pais e professores Saeb aplicado pelo MEC de dois em dois anos, avalia uma amostra de alunos matriculados nas 4.ª e 8.ª séries do fundamental e no 3.º ano do ensino médio de escolas públicas e particulares, rurais e urbanas. Por ser amostral, não permite saber nota por aluno ou escola, só por rede de ensino