Arcebispo defende Igreja e irrita vítimas na Irlanda

Efe e AFP, DUBLIN - O Estado de S.Paulo

O novo arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, que assumiu ontem a liderança da Igreja Católica na Inglaterra e no País de Gales, causou polêmica ao comentar o relatório que revelou mais de 30 mil casos de abuso de crianças internadas em instituições administradas por ordens religiosas católicas na Irlanda entre 1914 e o início da década de 1990. Ele declarou que as revelações do documento, divulgado anteontem pela Comissão de Inquérito para os Casos de Abuso Infantil da Irlanda, são perturbadoras, mas destacou a "coragem" dos membros do clero que reconheceram suas ações passadas. E disse esperar que o documento não se sobreponha ao trabalho positivo desenvolvido pela Igreja.O comentário irritou associações de vítimas dos abusos. O presidente da organização Sobreviventes dos Abusos de Menores, John Kelly, considerou as declarações "monstruosas e vergonhosas". Segundo ele, as "más ações" de muitos religiosos foram tão "horríveis" que anulam as boas.O governo irlandês lamentou os casos relatados no documento e considerou o ocorrido um dos capítulos mais obscuros da história do país. A presidente, Mary McAleese, declarou-se "chocada e envergonhada por tantas crianças terem sido obrigadas a suportar abusos em instituições que tinham como obrigação dar carinho e segurança". Os comentários foram feitos depois que um líder da oposição pediu que a Igreja Católica aumente para 128 milhões (R$ 358 milhões) o valor das indenizações às vítimas. "Foi uma traição atroz do amor. Meus pensamentos se dirigem às vítimas dessa terrível injustiça, que além de tudo tiveram de sofrer em silêncio durante tanto tempo", acrescentou a presidente.