Aquecimento não deve ser prioridade

- O Estado de S.Paulo

Apesar de ser considerado um ecocético pelos ambientalistas, o estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg não contesta o aquecimento global nem a contribuição do homem para o fenômeno. Na sua avaliação, porém, a mudança climática é apenas mais um problema a ser enfrentado pela humanidade. E não deve ser prioridade. Os países em desenvolvimento devem escolher entre crescimento e preservação?Dá para conciliar as duas coisas, mas é preciso tomar cuidado. Não é possível preservar tudo e crescer. Um país pode escolher entre enriquecer de forma rápida ou enriquecer um pouco mais lentamente e ter uma preocupação ambiental maior. Em um mundo no qual não conseguimos resolver todos os problemas, temos de priorizar. O desenvolvimento econômico, por exemplo, leva um maior número de pessoas a uma situação melhor.O que os países em desenvolvimento devem fazer para que a produção agrícola não seja afetada pelas mudanças climáticas?Este é um jogo com vencedores e perdedores. A maioria dos países em desenvolvimento perderá. O Brasil certamente será um deles, pois terá uma produção agrícola menor. Dois pontos devem ser observados. Em primeiro lugar, a maior parte dos impactos da mudança climática será observada somente entre 2050 e 2100. Até lá, espero que apenas uma pequena parte da economia brasileira dependa da agricultura. Segundo: mesmo se todos assinassem o Protocolo de Kyoto, conseguiríamos apenas adiar o aquecimento global em sete anos até o fim do século. Investir para se proteger dos efeitos da mudança climática significa gastar muito dinheiro para obter quase nenhum resultado em cem anos. É melhor agir para que as próximas gerações não dependam da agricultura e importem a produção das regiões que vão se sair melhor com as mudanças climáticas. O senhor acredita que há interesses políticos por trás da promoção do aquecimento global como uma catástrofe?A maioria dos cientistas envolvida na discussão é honesta e está preocupada com o problema. O IPCC tem se mostrado positivo em mostrar e explicar o problema. Já Al Gore tem chamado mais a atenção, especialmente por contradizer o IPCC e nos contar versões mais alarmistas. Não acredito que contar histórias assustadoras seja útil, porque pode fazer com que soluções erradas sejam tomadas.