Aposentada amplia farmácia comunitária no quintal de casa

- O Estado de S.Paulo

Demanda e exigências da Vigilância levaram à reforma

Depois que a iniciativa da aposentada Ondina Terezinha Maneli Rodrigues, de 73 anos, de juntar sobras de remédios para atender quem precisasse, foi publicada pelo Estado, no final do ano passado, ela passou a receber doações até pelos Correios e a clientela cresceu - em agosto, 484 pessoas foram a sua casa, na periferia de Sorocaba, em busca de remédios de graça. Cresceu tanto que a Vigilância Sanitária exigiu dela uma readequação da antiga farmacinha no fundo do quintal. Com novas instalações, a iniciativa comunitária virou modelo para outras cidades. "Veio muita gente visitar e fui franca: é preciso dedicação e, às vezes, pôr a mão no próprio bolso." Ela agora levanta às 5 da manhã, faz as tarefas de casa e, uma hora depois, está de plantão ao lado do telefone. A clientela - idosos, aposentados, mulheres com crianças, trazendo à mão uma ou mais receitas - começa a chegar antes das 7. Ondina atravessa a rua e vai chamar a vizinha Adriana Feitosa, farmacêutica voluntária. O aposentado Durvalino Lourençoni, de 68 anos, tomou três ônibus para chegar. Conseguiu 5 caixas de remédio para o coração - 60 comprimidos que custariam pelo menos R$ 125, muito para a aposentadoria de R$ 380. "Deus te abençoe!", agradece, comovido. Tadeu Dorival Celestino, de 54 anos, sofre de problemas no coração e no pulmão. Aposentado por invalidez, recebe meio salário mínimo de pensão. "Rodei a cidade toda e, nada. Na farmácia da Faculdade de Medicina, falaram da dona Ondina." Ele traz um calhamaço de receitas. A farmacêutica ajuda a separar os remédios. "Que graça a senhora vai receber no céu!", exclama. "Não faço pensando no céu, mas nos que estão aqui na Terra", responde ela. Há 20 anos, Ondina junta e distribui sobras de remédios. Com as exigências da Vigilância, pensou em parar. Mas saiu em busca de ajuda. O Sindicato dos Condutores de Sorocaba bancou a reforma e um empresário deu as estantes de aço. Duas pessoas se ofereceram como voluntárias para recolher doações. A farmacêutica organizou os remédios nas estantes. Ondina atende até à noite e clientes de outras cidades. Só pede que telefonem antes para checar se tem o remédio no estoque. O telefone é (xx15) 3233-7446.