Após vazamento de prova, OAB-SP suspende contrato com a Vunesp

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

Novo exame para exercício da advocacia será realizado pelo Cespe/UnB em 27 de janeiro; fundação não comenta

A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) suspendeu ontem o contrato que mantinha com a Fundação Vunesp para a realização do exame da ordem. O motivo foi a quebra de sigilo de questões programadas para a última edição da prova, de número 134, que seria realizada no dia 9 deste mês e foi cancelada na véspera. Agora, a aplicação será feita pelo Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe), ligado à Universidade de Brasília (UnB).A nova versão da prova está marcada para o dia 27 de janeiro, às 8 horas. A segunda fase provavelmente ocorrerá entre o fim de fevereiro e o início de março. Para os candidatos que estavam inscritos não mudará nada. Novas inscrições para essa edição não serão aceitas. Além disso, continuam válidos os mesmos locais de exame e as outras condições já publicadas em edital. "Suspendemos o contrato porque para nós não há dúvida, diante das investigações em andamento, que o vazamento ocorreu fora da OAB e dentro da Vunesp", afirmou o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D?Urso . Ele explica que a certeza vem do fato de a cópia da prova levada ao Ministério Público já estar em uma versão impressa para ser aplicada. Essa cópia estava com um aluno de cursinho."Era a versão que saiu da gráfica da fundação. Já estava fora do domínio da ordem", afirmou. "Mas gostaria de ressaltar que trabalhamos muito tempo com a Vunesp e é uma instituição séria, dirigida por pessoas sérias e que está investigando também o que aconteceu", disse D?Urso. Procurada, a Vunesp não se pronunciou. A quebra do sigilo foi descoberta quando um aluno de um cursinho de São Paulo, cujo nome está sendo omitido pela Polícia Federal, que investiga o caso, levou as questões para um professor responder. Desconfiado, ele fez uma cópia e levou a um promotor, que é seu amigo. O caso chegou ao conhecimento do procurador-geral de Justiça do Estado, Rodrigo Pinho. Ao saber do vazamento, a OAB suspendeu o exame.SEGURANÇAA Cespe já aplica a versão unificada do exame da ordem, coordenada pela OAB nacional e adotada por todos os Estados, menos São Paulo e Minas Gerais. Um dos diferenciais da instituição é o acompanhamento da Polícia Federal durante a impressão e a distribuição das provas - o que passou a ser feito após um vazamento em um concurso nacional.O conteúdo continua a cargo da Comissão de Estágio e Exame de Ordem, que seleciona as questões a partir de contribuições de professores de Direito. A diferença é que agora as provas serão personalizadas: o sistema fará um embaralhamento das perguntas, permitindo vários modelos, além dos três usados hoje. "Quando o candidato entregar a prova será retirado o nome, ficando a prova vinculada a um código digital. Na segunda fase, muda a correção. As provas serão digitalizadas e examinadas no computador. As provas físicas ficarão no cofre", disse D?Urso.