Após polêmica, 5 mi de alunos voltam às aulas

Fábio Mazzitelli, JORNAL DA TARDE; Alexandre Gonça - O Estado de S.Paulo

Com a retomada do critério antigo para atribuição, docente cai do 84.º lugar, obtido na prova, para 196.º

Cerca de 5 milhões de alunos voltam às aulas hoje na rede estadual de ensino de São Paulo após o adiamento provocado pela disputa na Justiça entre o governo e o sindicato dos professores do Estado (Apeoesp) por causa da prova aplicada para os docentes temporários.As notas do exame definiriam a distribuição de aula entre os professores não concursados, mas, como a Justiça suspendeu o uso delas, a atribuição foi realizada por tempo de serviço e titulação, como era anteriormente. Cerca de 100 mil dos 230 mil docentes (43%) no Estado são temporários e lecionam sem concurso público. Na prova realizada pela secretaria, aproximadamente 3 mil professores tiveram nota zero e, desses, 1.500 continuarão dando aula a partir de hoje.Para a Apeoesp, houve erros graves na aplicação da prova, o que a secretaria nega. Na semana passada, o sindicato entrou com medida cautelar na Justiça pedindo que o governo divulgue as notas de todos os 200 mil professores que participaram da avaliação.RECLASSIFICAÇÃOPaula Adriana de Brito Moro, de 38 anos, prestou a prova da secretaria e ficou em 84º lugar na Diretoria Regional de Ensino Centro-Sul, onde desejava trabalhar. Formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), onde também concluiu um mestrado, nunca lecionou na rede. Por isso, após a reclassificação feita sem usar a nota da prova, ela caiu para a 196ª posição. Mesmo assim, na quarta-feira passada foi à diretoria de ensino para tentar escolher as aulas que poderia dar. Havia 351 professores no local. Quando foi chamada, restavam apenas dez aulas semanais no período vespertino. Durante o dia, Paula gerencia cursos para o mercado financeiro. Por hora de trabalho na rede receberia R$ 9. "Só poderia dar aula à noite. Se aceitasse os horários da tarde, deixaria meu emprego e ganharia R$ 90 por semana." Ela questiona a reclassificação. "Há uma grande resistência a critérios objetivos de avaliação", considera."Por que as 112 pessoas que passaram na minha frente tiveram um desempenho pior no exame?" Paula considera importante avaliar os professores temporários para garantir a qualidade das aulas. "O clamor do sindicato pela melhoria dos salários é uma demanda justa, mas o comprometimento com a educação não se resume a isso", avalia.HISTÓRICOEm outubro do ano passado, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) intermediou um acordo entre a secretaria e a Apeoesp relacionado aos temporários. O sindicato aceitou a realização da prova e o governo do Estado comprometeu-se a formular um projeto de lei para efetivar 75 mil professores por meio de concurso para efetivação, já que o último havia sido realizado em 2006.Depois do exame dos temporários no dia 17 de dezembro, o sindicato entrou com uma ação pedindo a anulação da prova, alegando irregularidades. Uma liminar que atendia a solicitação da entidade foi concedida, mas cassada no mês passado.Uma nova liminar deu ganho à Apeoesp e os resultados do exame não foram computados na distribuição das aulas, que obedeceu à classificação por tempo de serviço e titulação. A secretaria recorreu. NÚMEROS200mil pessoasrealizaram a prova para professores temporários3 mil avaliadostiveram nota zero, segundo a Secretaria da Educação1,5 mil que tiveram zerovão lecionar nas salas de aula do Estado a partir de hoje230 mil professoresé o total de docentes contratados pela rede estadual100 mil são temporários,uma parcela considerada excessiva pelo TRT 2006 foi o anodo último concurso público para contratação de efetivos