Após 20 anos, Japão suspende caça de jubarte

EFE - O Estado de S.Paulo

Mesmo criticado por ambientalistas e organizações porque aceita a prática, o país manteve a autorização de captura para outras espécies de baleia

Em resposta à pressão internacional, o governo japonês decidiu suspender a temporada de caça de baleias jubarte (Megaptera novaeangliae, com 35 toneladas e 16 metros de comprimento, em média). Mas a captura de outras espécies "com fins científicos" vai continuar."Não mudaremos o plano de pesquisa científica sobre cetáceos", avisou o porta-voz do governo japonês, Nobutaka Machimura. "Mas o governo decidiu que, enquanto o processo de normalização continuar seu caminho, adiaremos a captura de baleias jubarte." As autoridades japonesas definem como "normalização" o fim da moratória sobre a caça comercial de baleias, determinada pela Comissão Baleeira Internacional (CIB) em 1982.A indústria baleeira japonesa trabalhava com a meta de caçar nesta temporada 50 jubarte, 850 minke (Balaenoptera acutorostrata) e 50 fin (Balaenoptera physalus), sempre sob o pretexto de realizar estudos científicos. A campanha, como sempre, está cercada de polêmicas.O governo da Austrália, por exemplo, decidiu vigiar com navios e aviões os baleeiros japoneses para demonstrar que seu trabalho nada tem a ver com a ciência. As provas colhidas pelo monitoramento australiano respaldariam medidas legais em tribunais internacionais.O Japão rebateu declarando que, "embora as diferenças (entre os países) quanto ao tema sejam compreensíveis", a caça de cetáceos "deveria ser discutida em termos científicos, em vez de emocionais".BALEIA E HAMBÚRGUERA atitude japonesa, similar à da Noruega e da Islândia, justifica a caça de baleias por ser um recurso explorado por seus povos durante séculos e pela abundância de algumas espécies, como a minke e a baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni).A Associação Baleeira do Japão considera que pedir ao país que pare de capturar baleias é o mesmo que "pedir aos americanos que deixem de comer hambúrguer". O Japão só deixou de caçar baleias com fins comerciais na temporada de 1986, seguindo a moratória imposta pela CIB, mas um ano depois já retomou a atividade, amparando-se no discurso dos "fins científicos". O país também quer uma "reforma" da comissão, que teria se tornado excessivamente preservacionista.A ministra do Meio Ambiente do Chile, Ana Lya Uriarte, considerou a decisão de suspender a caça de jubartes uma boa notícia, porém insuficiente. "Nos parece que o Japão tomou uma boa decisão, mas o país continua em dívida." O Chile vai sediar em junho de 2008 uma assembléia da CIB.Junichi Sato, da ONG Greenpeace, observou que o Japão manteve o objetivo de caçar 900 baleias nesta temporada.