Antidoping nas empresas cresce 26% em 1 ano

Carolina Dall?Olio, JORNAL DA TARDE - O Estado de S.Paulo

Cerca de 3,5 mil funcionários foram testados para drogas em 2008, contra 2,7 mil em 2007

O número de testes antidoping realizados nas empresas subiu 26% em um ano, informa o Laboratório de Análises Toxicológicas (LAT) da Universidade de São Paulo (USP). No ano passado, 3.479 funcionários foram submetidos ao exame, contra 2.760 em 2007.A quantidade de empresas que participam do Programa de Prevenção e Controle do Uso de Drogas no Ambiente de Trabalho, coordenado pelo LAT, não se alterou nos últimos dois anos: permanecem as mesmas 300 corporações. "A base continua igual", atesta o professor Maurício Yonamine, responsável pelo laboratório. "O que fez o número crescer foi o aumento da confiança dos trabalhadores no programa", afirma. "Eles sabem que, mesmo que o exame der positivo, não serão demitidos."Ninguém pode ser obrigado a fazer o exame antidoping - a menos que o funcionário exerça uma função de alto risco, como o manuseio de máquinas. Portanto, é possível recusar sem sofrer qualquer tipo de sanção. Dessa maneira, muitos funcionários se valiam desse direito e negavam sua participação no programa."Mas com o tempo isso tem mudado", afirma Yonamine, lembrando que o programa existe desde 1992. "Os trabalhadores entendem que o objetivo das empresas não é puni-los, mas sim tratá-los e melhorar sua condição de trabalho. Não sei de ninguém que tenha sido demitido porque o exame deu positivo."Atualmente, a substância que mais aparece nos exames é a maconha. "É uma droga socialmente aceita, que passa a falsa impressão de não ser perigosa", justifica a psiquiatra Vânia Maria Baggio Foloni, da Medicina do Trabalho do Hospital Israelita Albert Einstein. "O cidadão começa a usar no fim de semana, com a ilusão de que aquilo é um entretenimento, um jeito de relaxar do estresse." O comportamento é perigoso. "Mesmo quem só usa no fim de semana prejudica seu rendimento na empresa e sua saúde", observa.A psiquiatra reforça que, seja qual for a droga, seu uso será sempre progressivo. "A vontade de consumir só vai aumentar com o tempo, até caracterizar o vício." E o que no começo poderia representar um reforço no trabalho - drogas como a cocaína são estimulantes e tornam o funcionário mais produtivo no início -, depois se transforma em armadilha. "O usuário vai se afundando porque acha que ninguém percebe que ele consome drogas. Até o dia em que ele perde o freio." RESULTADOS85% dos usuáriosque têm emprego se recuperam do uso de drogas. No caso dos desempregados, o índice cai para 20%0,7% dos testesrealizados no segundo ano do programa dão positivo. No primeiro ano, esse índice varia entre 7% e 16%R$ 9 mil é o custo médio de demitir um funcionário com 10 anos de empresa. Tratar um usuário de drogas custa R$ 3,5 mil80% é quanto caemos acidentes de trabalho após os exames; as faltas caem 62%