Amigos do meio ambiente

- O Estado de S.Paulo

Conheça histórias de cidadãos que deixam São Paulo mais verde

O dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado hoje, é uma data ideal para rever conceitos sobre como ter uma vida sustentável e para avaliar o impacto ambiental de cada uma das atividades que desempenhamos. E não é preciso ser ecologista de carteirinha ou político renomado como Al Gore ou Fernando Gabeira, como provam um empresário que já plantou mais de 5.400 árvores pela Cidade e um taxista ´carbon free´, que compensa as emissões de gases de seu veículo.Desde o começo do ano, o taxista João Batista Santos, de 44 anos, vem se destacando na praça e atraindo cada vez mais clientes com sua proposta de Ecotáxi. Isso porque ele calcula a quantidade de gás carbônico (CO2) emitido pelo carro a cada viagem que faz e, depois, compensa as emissões plantando árvores pela Cidade.Mas a vida de João Batista não é só sucesso. Até 1998, ele encontrava dificuldades na carreira de corretor de imóveis. ´Eu tinha um escritório imobiliário, mas não estava conseguindo levar o negócio adiante´, conta. Foi nessa circunstância que ele decidiu virar taxista. ´Comprei o táxi do meu irmão, mas não tinha dinheiro para pagar. O jeito foi correr atrás do maior número possível de clientes´, conta. Desde o início, o táxi de João Batista foi diferente dos outros. Ele chega a oferecer um serviço de bordo que conta com água de coco, telefone celular, jornais e revistas.A idéia de ajudar na preservação do meio ambiente já estava havia muito tempo na cabeça de João Batista. Após as bombásticas previsões sobre o aquecimento global no início deste ano, ele decidiu se movimentar para amenizar o impacto de sua atividade. ´Verifiquei que a gasolina que gasto (40 litros por dia) emite 93 kg de carbono e que cada árvore absorve 600 kg de gás. Fiz as contas e descobri que preciso plantar uma árvore a cada 7 dias´, conta.Para comprar as mudas necessárias para atingir a sua ´cota verde´, João Batista consulta, depois de cada corrida, se o passageiro pode colaborar com a causa ou não. ´Se ele não quiser, eu pago do meu próprio bolso´, garante.Em março, o taxista realizou o primeiro plantio, em uma praça. ´Eu tinha que plantar 8 mudas, mas plantei 12 (10 de pau-brasil e 2 palmitos), com a ajuda dos clientes´, conta o taxista, que procura outros locais para realizar o próximo plantio, no sábado.Também preocupado com a falta de verde na Cidade, o executivo Hélio da Silva, juntamente com três colegas, tem como hobby plantar árvores. ´Sou aficionado pela natureza e faço isso em tributo a esta cidade que me acolheu quando vim, ainda criança, de Promissão, no interior´, conta. Em três anos, eles já plantaram mais de 5.400 mudas às margens do Córrego Tiquatira e do Piscinão do Rincão, ambos na região da Penha. ´É uma variedade de 146 espécies, das quais mais de 90% são nativas da Mata Atlântica, inclusive ipês, jatobás, canafístulas, araçás e muitas frutíferas´, conta ele, que tem um catálogo com detalhes de todas as arvores plantadas para facilitar o monitoramento de cada uma delas. ´Não basta plantar, temos de cuidar, adubar, podar, fazer estaqueamento. É um trabalho continuo´, diz.Agora, depois de mais de três anos, os resultados começam a aparecer. Muitas árvores já estão grandes e começam a florir e dar frutos, atraindo muitos pássaros para a região. ´Meu plano inicial era plantar 5 mil árvores em 5 anos. Porém, como já superei essa meta nos três primeiros anos, aumentei o objetivo para 15 mil árvores até 2.014´, planeja.O sucesso do trabalho de Hélio é tanto que a Subprefeitura da Penha solicitou a colaboração dele para recuperar e preservar a área em volta de uma pequenina nascente de água potável existente no Piscinão do Rincão (ao lado do Metrô Penha). ´A bica fica num barranco e queremos de qualquer maneira preservá-la´, diz o voluntário, que comemora: ´Já plantei várias arvores ao redor dela e estou tendo muito sucesso. A nascente está se recuperando e a cada dia sai mais água´.