Alunos da USP farão passeata amanhã até o Masp para pedir saída da reitora

- O Estado de S.Paulo

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de São Paulo (USP) convocou alunos, professores e funcionários para uma passeata amanhã até o Masp, na Avenida Paulista. A ideia é reunir os manifestantes a partir do meio-dia em frente ao prédio da reitoria, na Cidade Universitária, e de lá sair em passeata. O protesto contra a presença da Polícia Militar no câmpus e pela saída da reitora Suely Vilela estava previsto para quarta-feira da semana passada, mas apenas 15 pessoas compareceram, provavelmente por causa da chuva. Saiba mais sobre a greve na USPNa terça-feira, uma manifestação convocada pelo diretório e por sindicatos no portão principal da USP terminou em conflito com a polícia. A PM entrou no câmpus atirando balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo e recebeu dos alunos pedras e tijolos. Um estudante e cinco policiais ficaram feridos e três integrantes do sindicato dos funcionários foram detidos, mas liberados em seguida.O ocorrido provocou reações diversas no câmpus. Intelectuais e cientistas criticaram as atitudes extremistas da véspera, tanto de manifestantes quanto da polícia, lamentando que um conflito violento tenha ocorrido dentro da universidade pela falta de diálogo de todas as partes envolvidas. Em algumas unidades da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), estudantes e professores ligados ao sindicato dos docentes (Adusp) defendem a destituição da reitora e mostraram indignação com a polícia. Em outras, como a Faculdade de Administração e Economia, circula a ideia de realizar uma pesquisa de opinião para os estudantes, para mostrar que apenas uma parcela pequena concorda com a greve e os protestos. O conflito deste ano começou com uma greve do sindicato dos funcionários no dia 5 de maio, com um pedido de 16% de reajuste salarial e mais R$ 200, além da reintegração do sindicalista demitido Claudionor Brandão. Sem a mesma repercussão da ocupação da reitoria em 2007, a greve foi ignorada pela reitora Suely Vilela. No dia 25, antes de uma rodada de negociação, um desentendimento entre alunos, funcionários e reitores levou um grupo a invadir e ocupar a reitoria por cerca de quatro horas. No dia seguinte, funcionários fizeram um bloqueio ao prédio e a outros seis edifícios do câmpus, proibindo a entrada. A reitoria pediu reintegração de posse à Justiça, concedida na semana seguinte. A polícia apareceu e liberou as entradas, porém quando foi embora, os funcionários retornaram, o que provocou a volta e permanência da polícia na reitoria. Com isso, alunos e a Associação de Docentes decidiram aderir à greve, introduzindo na pauta de reivindicações a saída da Polícia Militar. Com o confronto, surgiram novos inimigos: a reitora e o governador.