Alta do imposto sobre cigarro pode diminuir número de fumantes em 4%

Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo

O aumento do imposto sobre cigarros anunciado anteontem pelo governo tem potencial para reduzir a médio prazo em até 4% o número de fumantes no País. A informação é da coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Tânia Cavalcanti. A estimativa é feita com base em estudos do Banco Mundial que relacionam o aumento de preço com a queda do número de dependentes."Se os fabricantes repassarem integralmente o aumento para o preço dos cigarros, podemos assistir a uma redução que chega a esse porcentual", diz. Esse efeito, no entanto, não é imediato nem linear. De acordo com Tânia, é preciso cuidar, por exemplo, para que não haja aumento do contrabando do cigarro e para que políticas preventivas sejam mantidas.Elevar o preço dos cigarros é uma das medidas consideradas mais eficientes para combater o tabagismo, dizem especialistas. A estratégia, preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ao mesmo tempo evita o ingresso de jovens ao tabagismo e desestimula o consumo do produto entre os mais pobres - grupo mais vulnerável à indústria do cigarro.Apesar dos argumentos de especialistas em saúde, o cigarro brasileiro é um dos mais baratos do mundo. A resistência do governo em elevar os tributos era atribuída ao receio de que, para escapar do aumento de preços, a população passasse a consumir cigarros contrabandeados. Um estudo do economista Roberto Iglesias para a Aliança do Controle de Tabagismo desmente essa tese. O trabalho mostra que o preço do cigarro brasileiro caiu 20% entre 1993 e julho de 2007. A redução, no entanto, não provocou queda do comércio ilegal. "Contrabando se combate com fiscalização, não com preço baixo." Com a elevação da carga tributária sobre cigarros, anunciada anteontem, os preços devem ficar entre 20% e 25% mais caros. Há mais de um ano, um grupo de organizações não governamentais e de especialistas ligados à luta antitabagista insiste que o governo altere a cobrança de tributos. A crise econômica ajudou a atender o pedido."Ela veio para ajudar a economia, mas ajuda a saúde também", disse Tânia. A coordenadora, porém, diz que o aumento tem de ser feito de forma constante. "Caso contrário, o efeito nos preços será amortecido."