Além do risco financeiro, há perigo para a saúde

- O Estado de S.Paulo

Os cientistas têm tem uma recomendação básica para quem pensa em fazer terapia com células-tronco: "Tratamento experimental não pode ser pago. Se o médico cobrar alguma coisa, desconfie", resume a geneticista Mayana Zatz, da USP. Os únicos tratamentos de células-tronco já estabelecidos como prática médica são aqueles para doenças do sangue, como a leucemia, que utilizam células da medula óssea ou de cordão umbilical. "Qualquer outro procedimento é experimental", avisa Mayana.Vários sites na internet, porém, vendem tratamentos com células-tronco para lesões medulares, doenças cardíacas, esclerose lateral amiotrófica, Alzheimer, Parkinson, pessoas em estado vegetativo e até autismo. O custo médio passa de US$ 20 mil.Além do risco financeiro, há também o risco para a saúde. A principal preocupação dos cientistas é que as células-tronco são propensas à formação de tumores, que poderiam surgir só anos após a cirurgia. É justamente para avaliar esses riscos que as futuras terapias precisam ser testadas de forma rigorosa e controlada - o que leva tempo. "Não critico os pacientes, critico os médicos que cobram uma fortuna e não se sabe nem o que estão injetando", diz Mayana.