Ainda faltam estudos sobre benefícios à saúde

- O Estado de S.Paulo

Apesar de não ser consenso, os benefícios dos alimentos orgânicos para a saúde começam a ser mostrados em estudos de vários centros de pesquisa. De maneira geral, os trabalhos apontam que produtos sem agrotóxicos têm mais nutrientes que os convencionais.Um dos estudos, feito por cientistas da Rutgers University, em New Jersey (EUA), encontrou diferenças consideráveis na quantidade de nutrientes nos alimentos convencionais e orgânicos. Descobriram, por exemplo, que o teor de ferro no espinafre orgânico era 97% mais alto que no convencional. Em relação ao alface, a diferença foi de 200%. Outra pesquisa, realizada durante três anos na Grã-Bretanha, mostrou que legumes e frutas orgânicos contêm até 40% mais antioxidantes do que seus equivalentes não orgânicos. O leite orgânico teria entre 50% e 80% mais antioxidantes. Os resultados também sugerem que os orgânicos têm menos ácidos graxos trans, considerados nocivos à saúde. E mostraram que trigo, tomate, batata, repolho, cebola e alface orgânicos contêm entre 20% e 40% mais nutrientes."Teoricamente, qualquer alimento sem agrotóxico é melhor para a saúde, então os nutricionistas e médicos recomendam que se consuma orgânicos quando possível", explica a nutricionista Daniela Silveira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Mas é um assunto que precisa de mais estudos. Isso porque o efeito nocivo do agrotóxico não é imediato e depende da quantidade e do tempo em que é ingerido. Faltam estudos de longo prazo populacionais", diz ela.Como exemplo de evidência científica interessante, a nutricionista cita um trabalho com 90 mil mulheres. Ao acompanhar o histórico delas, os cientistas descobriram que as que consumiram uma porção e meia de carne vermelha por dia tiveram quase o dobro de risco de câncer de mama associados a hormônios. Após estudar os dados, eles relacionaram o câncer aos hormônios de crescimento injetados no gado.