Adestrando o colega ?mau?

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

O traste odeia o que faz. Parece um tamanduá, tamanho é o bico ostentado pelo infeliz diariamente no trabalho. Sorrir, só quando a boca dá aquela fisgada para desenterrar o fiapo de bife dos molares. Bom dia, boa tarde, até logo? Ele prefere anunciar o apocalipse.Mas a cara feia nem incomoda tanto. Dose mesmo é ver o carrancudo prestar serviços ? pelos quais recebe um salário ? como se fossem favores. Resmunga, bufa, baba... Paga de mal para fugir dos afazeres.E tem garoto-enxaqueca cuja auto-estima está tão arruinada que não abrevia o sofrimento (o próprio e o alheio). Passa anos exalando hostilidade, distribuindo patadas, grunhindo, rosnando. Vira um tio-enxaqueca. Um vovô-enxaqueca.Que fique claro: mau humor é um direito universal. Ele só não pode virar instrumento de trabalho. Se você não tem colhão para pedir as contas, pare de descontar a sua frustração nos colegas civilizados. Refine os hábitos ? conheço um adestrador de cães ótimo ? ou vá trabalhar de focinheira.