Acordos da Fiocruz prevêem produção de vacinas

Alexandre Rodrigues, RIO - O Estado de S.Paulo

A exemplo do Instituto Butantã, ligado ao governo paulista, a Fiocruz desenvolve vacinas como as contra dengue e malária. Referência nacional, a instituição produz 88 milhões de doses ao ano, como a tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) e contra a febre amarela, a meningite e a poliomielite. As vacinas são um dos pontos principais dos acordos da instituição com outros países. A fábrica de medicamentos da Fiocruz (Farmanguinhos) já tem contratos de fornecimento com países africanos a partir de linhas de financiamento oferecidas pelo Brasil que exigem a contratação de empresas brasileiras. A expectativa é de que, no futuro, os países andem com as próprias pernas em direção aos produtos brasileiros, como os anti-retrovirais para doentes de aids, uma das tragédias da África. Mesmo nas cooperações para transferência de tecnologia para a produção local de medicamentos, sobra para o Brasil um mercado de matéria-prima que pode viabilizar a farmoquímica nacional. "Além da presença política do Brasil, essa ação faz crescer nossa presença econômica, gera emprego aqui no País, desenvolve nossa tecnologia", diz o presidente da Fiocruz, Paulo Buss.Mas não é só a África que está no foco da instituição. A Fiocruz estreita laços com a América Latina, seguindo a política de integração continental também na área de saúde. Um desafio é alcançar uma estratégia conjunta de vigilância de epidemias e combate a males comuns, passando pela formação de pessoal e de instituições que possam levar a uma espécie de cobertura de saúde comum. Há projetos de escolas de saúde pública para o Paraguai e a Bolívia. Entre as últimas cooperações firmadas está a produção emergencial de uma vacina contra dois tipos de meningite para a África com um instituto cubano, a pedido da Organização Mundial da Saúde. No ano passado, a Fiocruz foi escolhida a melhor instituição do mundo pela Federação Mundial das Associações de Saúde Pública. Cerca de 70 estrangeiros cursam mestrado e doutorado na Fiocruz. Além das unidades de Minas Gerais, Amazonas, Pernambuco, Paraná, Bahia e Distrito Federal, a fundação negocia abertura de novas filiais em Mato Grosso do Sul, Ceará e Piauí. A Fiocruz fatura R$ 450 milhões por ano em produtos.