A mulher-corporativa

Felipe Machado - O Estado de S.Paulo

A Mulher-Corporativa ama usar expressões em inglês, mesmo quando não sabe o que elas significam. Como os outros também não sabem, fica tudo certo

Ela não é um bicho-papão, mas também faz os homens morrerem de medo. Quem a vê de longe, acredita que ela está sempre sorrindo. Mas quem está perto daqueles lábios desenhados pela MAC percebe que suas palavras são bastante duras - e quase sempre formadas apenas por expressões em inglês. No exterior, aliás, ela é conhecida como MBA Woman. Aqui, ela é a Mulher-Corporativa.   A Mulher-Corporativa é uma funcionária-mais-que-padrão que veste a camisa da empresa - até por baixo do tailleur. A Mulher-Corporativa não gosta de cores: cores são para garotas fúteis e podem ser uma distração no caminho do seu objetivo máximo: agregar valor à sua vida.   Uma das características da Mulher-Corporativa é que ela não namora: estabelece cases de relacionamento. Ela também não gosta de escrever cartinhas de amor convencionais - prefere colocar seus sentimentos mais nobres em planilhas de Excel. Quando sai na balada com as amigas, a Mulher-Corporativa não está interessada em conhecer gente nova. O que ela quer é prospectar futuros parceiros pessoais para uma intensa convivência social. E quando ela quer se livrar de alguém...   "Oi, querida. Tudo bem?" "Tudo bem, nada. Precisamos marcar uma reunião para discutir o futuro do nosso relacionamento." "Por mim, tudo bem. Você quer sair para jantar?" "Acho que isso não será necessário. Quero lhe comunicar que nosso namoro acabou. Passe lá em casa entre 10h e 18h para entregar suas chaves e pegar suas coisas pessoais com a funcionária responsável, a Zulmira." "Peraí, como assim? " "Nosso relacionamento não atingiu as metas preestabelecidas. Eu tinha planejado me casar após seis meses, mas já estamos juntos há oito e você não apresentou nenhum avanço nessa área." "Mas... e o nosso amor?" "Amor? Defina isso." "Definir amor? Sei lá, esse sentimento superforte que temos um pelo outro..." "Desculpe, mas não costumo trabalhar com conceitos subjetivos. Passe bem."   Se você conhece uma Mulher-Corporativa, torça para que ela não vire sua chefe. Agora, se você for casado com uma... pense bem se não é hora de pedir demissão.   Eu queria ser esse cara Felipe Machado, eu. Esta semana eu gostaria de ser... eu mesmo. É que no dia 22, quinta-feira, às 19h, lanço no Mercure Grand Hotel SP Ibirapuera (R. Joinville, 515) meu novo livro. ‘O Martelo dos Deuses’ é um pouco mais sério que esta coluna, mas espero você lá mesmo assim.   Borracharia Juliana Knust, atriz. Presente de Natal para os homens: a Débora de Duas Caras será capa da Playboy de dezembro. Obrigado, Papai Noel.